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Capítulo 3: "Elizabeth March, você é estupidamente honesta"

Nota: "Sunbae" é maneira que os coreanos chamam alguém com mais experiência que eles, semelhante a "veterano". Apesar de a história se passar na Inglaterra, vou colocar algumas expressões de tratamento em coreano, uma vez que a autora é coreana e algumas formas de tratamento como esta, estavam presentes no manhwa original 
POV Adrian Avery 
Quando eu a vi, já de noite, a primeira coisa que pensei no momento foi: “O que raios ela está fazendo aqui? ” Aproximei-me ainda mais para ver seu estado. Ela parecia exausta e cansada e não entendia por que motivos ela teria para estar ali, parada na calçada, em uma noite chuvosa como aquela
Beth? Eu a chamei, logo atrás dela, que se assustou, dando um sobressalto
O que você está fazendo aqui? Ela me questiona sem perder tempo, e eu a rebato, como quem não quer nada:
Eu é que pergunto isso, garota! Que diabos você está fazendo aqui, parada no meio da chuva? Ela de alguma forma mexia comigo, e apesar da grosseria, eu estava preocupado com ela.
Se eu te disser você não vai acreditar mesmo. Ela falava, dando de ombros, como se não fosse nada de importante
Beth, diga logo o que se passa!
Eu estou à procura de Meg. Ela.... Nos deixou
Fiquei pensativo, sem dizer nada, e ela continuou:
Quero abraçá-la uma última vez, Adrian, custe o que custar ela estava determinada, batendo os pés nas poças d’água que se formavam por conta da chuva
Eu estava impressionado com ela. Ela queria ver a irmã uma última vez e se despedir dela, ainda que Margareth March já tivesse partido. Mesmo assim, não consegui dizer nada mais gentil a ela, então as únicas palavras que saíram foram:
Você é estúpida, garota?! Você nem mesmo sabe onde ela está!
Não começa! Você está parecendo a minha irmã falando assim!
E você não escutou, certo? Eu a provoquei
Tirou a noite para me provocar, Senhor Avery? A Beth quase nunca me chamava pelo sobrenome. Sinal de que ela já estava ficando irritada
Imagina, senhorita eu lhe respondi com uma pontinha de sarcasmo, sem nada melhor para responder àquilo, e ela pareceu não se convencer muito daquilo.
Com uma pausa, eu lhe interroguei, desta vez, sinceramente:
—Por acaso sua irmã te deixou uma carta?
Ela pareceu estar enormemente surpresa com a minha pergunta, porque arregalou os olhos e devolveu-me com outro questionamento:
Como você sabe disso?
Eu não sabia de nada, Beth, acredite. Apenas perguntei por curiosidade
Está dizendo a verdade? Ela perguntou, analisando de cima a baixo, um pouco desconfiada, arqueando as sobrancelhas.
Sim, é verdade. E se quer saber eu também recebi uma carta
Uma carta de quem? Seu tom de voz continha um misto de surpresa e curiosidade
Gregory Thomas respondi, imediatamente, e ela colocou a mão na boca de tão espantada que estava com aquela informação
Mas isso...Ela começou, e eu já até sabia o que ela iria comentar
É muita coincidência comentamos ao mesmo tempo
Aproximei-me dela e fiz carinho em suas maçãs do rosto. Por alguma razão eu estava com vontade de acariciá-la e os conselhos de Greg sobre não a deixar partir ainda continuavam em minha mente. Raios! Por que Greg tinha que ser tão melhor com as mulheres do que eu?
Sim, é muita coincidência, Beth! Eu lhe disse, dessa vez um pouco mais gentilmente É estranho nós dois recebermos cartas no mesmo dia!
Espere um pouco, Adrian! Se você também recebeu uma carta, então você por acaso sabe onde Greg-sunbae e Meg estão? Ou ele também não deixou endereço nenhum no envelope?
Tem um endereço, mas eu nunca ouvi falar do tal lugar
Não importa! Adrian, você precisa me levar até Meg! Eu PRECISO vê-la! Beth suplicava-me, insistente.
—Não, agora não. Você não está bem! Nem tem mais forças de tão cansada que está! A minha voz soava mais tranquila, de maneira a convencê-la e acalmá-la devido àquela situação. Todavia, de nada adiantou, porque ela continuou a insistir-me:
Mas você pode me levar até lá! Está a cavalo, certo? Ela tentou me convencer, fazendo-me uma pergunta retórica, e eu apenas a fitava para ver até onde ia aquela teimosia toda. Contudo, não resisti à tentação de dizer-lhe:
Garota tola! Eu a xinguei Mesmo que eu te leve até o local, com que expressão vai recebê-la? Com essa expressão de cansada mesmo? Só a preocuparia ainda mais, porque como você sabe melhor do que eu, a Senhorita Meg sempre foi extremamente sensível. E quando o assunto era você...
Ela sempre me protegeu
Exatamente por isso que você não deve preocupá-la
Mas eu já estou melhor! Ela alegava, e claro que eu não me convencia de nada daquilo, porque ela ainda estava visivelmente cansada E, afinal, eu apenas quero abraçá-la. Que mal tem isso? Só estou te pedindo uma carona! —Ela explodiuSem contar que eu nunca te pedi nada, Senhor Avery! —Ela me chamou de novo pelo sobrenome, sinal que ela já estava altamente irritada
—E que mal tem em você parar de ser teimosa, Senhorita March? Que eu saiba a saúde e o bem-estar de alguém é bem mais importante do que ficar se arriscando por aí!
—Desde quando você se importa comigo, posso saber? E a minha irmã é mais importante do que eu, entendeu?!
—Cale-se, eu não penso da mesma forma que você, senhorita. E controle-se, estamos em uma estrada. Quer que o resto da cidade te escute também?
Pouco me importa a tua maneira de pensar. Apenas sei que seguirei em frenteela afirmou, batendo os pés, insistente, já se virando para continuar seu caminho
Seguir em frente? Nesse estado? Eu a interroguei com perguntas retóricas e intencionais, as quais ela nem se deu o trabalho de responder, e continuou a dar seus passos, ignorando-me completamente. Mas eu não permiti que ela prosseguisse, tampouco me daria por vencido.
Foi então que peguei em seus braços com força, a ponto de ela reclamar:
— Ficou louco? O que você pensa que está fazendo, puxando-me desta maneira?
Onde a Senhorita pensa que vai? Inquiri, com um sorriso torto, e então a peguei e a montei no cavalo A Senhorita vai passear comigo falava, ainda sorrindo maliciosamente
O quê?!
Apenas cale-se, mocinha. Eu tapei sua boca, delicadamente Você logo verá onde nosso passeio te levará
Eu com certeza a levaria à minha casa, pois era o mais sensato a se fazer em um momento como aquele, goste ela ou não. A viagem demorou horas e horas, até que em certo momento, a senhorita atrás de mim comenta:
Eu conheço esta estrada
Todo mundo conhece esta estrada, Beth Respondi-lhe como quem não quer nada, para não deixar muito evidente o meu plano de escoltá-la à minha residência.
É, todo mundo...Ela claramente não havia se convencido das minhas palavras, mas pelo menos ela se aquietou um pouco. Mais duas horas de estrada e finalmente havíamos chegado na mansão
—Chegamos, senhorita!
Mas aqui é a tua mansão! Ela exclamou, ao chegarmos frente ao local
Exatamente, senhorita! É este o local em que passará a noite
Não estou acreditando! Ela exclamou, enérgica
Pode acreditar, você não está sonhando
Quer parar com isso? Por que me provoca tanto? Ela ainda estava brava e de braços cruzados, mas eu não me importei, pois ela chamava ainda mais a minha atenção quando se irritava, e dava ainda mais vontade de mirá-la nestes momentos. Não querendo revelar nada a ela e não importando nem um pouco com a braveza momentânea dela, - eu sabia que isso era apenas passageiro -, eu apenas lhe disse, natural e casualmente:
Ah! Eu gosto de te provocar, Senhorita
Estou percebendo, e estou começando a não gostar disto Ela comentou e eu dei de ombros
Mas voltando ao assunto principal, Senhor Avery Ela começou e eu até já sabia até onde aquela conversa chegaria Não era para estar aqui, e eu nem queria estar aqui! Eu queria ver a Meg!
Sabia que ela ia dizer essa mesma coisa pela milésima vez, mas eu já tinha a resposta na ponta da língua, e estava certo de que desta vez ela cederia às minhas palavras
Amanhã te levo para vê-la. Por ora, descanse aqui
Já que discutir contigo não resolverá nada...ela comentou, assentindo, derrotada pela primeira vez
Ainda bem que me entendeu. Agora, vamos entrar eu disse, guiando-lhe à entrada da mansão e ela me acompanhou. Quando adentramos, Kurt já estava a postos para nos receber
Seja muito bem-vindo de volta, Senhor Adrianele se pronunciou com uma reverência.
Agradeço a recepção, Kurt.
Não há de que, Senhor! Se me permite a pergunta.... De quem se trata esta graciosa dama ao teu lado, Senhor?
Trata-se da Senhorita Elizabeth March, da prestigiada família March. Esta jovem passará a noite aqui, portanto ela ficará no quarto de hóspedes esta noite.Comunique à família dela que ela ficará aqui e diga para não se preocuparem
Está na mais perfeita ordem. E claro, lhes comunicarei prontamente ele garantiu a mim
—Assim que gosto
—Há apenas uma coisa restante para tratar-lhe, Senhor Adrian
—E a respeito de que ou de quem seria, Kurt?
—A respeito da honorável Senhorita Leonora. Ela esteve aqui na propriedade há algumas horas atrás, procurando pelo senhor e comunicou-me que havia alguns assuntos para tratar apenas com a tua pessoa. Parecia ser de extrema importância a julgar pela expressão da senhorita Leonora, que espera prontamente teu retorno, Senhor
—Compreendo. Entretanto, seja o que for, vou adiá-lo, visto que amanhã terei um compromisso marcado. Diga-lhe que estarei disponível para falar-lhe somente daqui a dois dias
—Como desejar, Senhor —E se retirou dali, após despedir-se com uma última reverência. Quanto a Elizabeth March, ela me fitava intensamente, provavelmente por conta do que ouviu a respeito da “pendência” com Leonora, mas nada comentou sobre o assunto. Eu a escoltei até o quarto de hóspedes, onde ficaria por algumas horas. Mal chegamos ao local, e aquela tonta começou a discutir outra vez (acho que certas coisas nunca mudarão, afinal)
—Como pretende me levar amanhã?
—Da mesma forma que hoje—respondi-lhe ironicamente
—Você entendeu a pergunta, Adrian, não tire a minha paciência
—Já se esqueceu que eu sou? Sou o herdeiro da honorável Família Avery. Ninguém ousa me contrariar, afinal sou Adrian Avery
—Quase ninguém, você quer dizer. Porque eu contrario-te sim!
—Ah, é! Quase me esqueci de você, senhorita —a provoquei, sarcástico, fingindo ter esquecido dela
—Eu te odeio sabia, seu arrogante?!
—Só porque você me insultou você terá uma penalidade enorme, Elizabeth Marche então eu segurei em sua cintura fortemente e a beijei, de uma maneira igualmente forte e enérgica. Era extremamente tentador eu ter que resistir beijá-la e apenas mirá-la de longe, e com ela ali à minha frente, percebi que naquele instante eu queria ficar com ela
Após soltá-la, ela abriu a boca para dizer-me alguma coisa, mas não conseguiu fazê-lo, por conta do choque daquele momento. Eu por outro lado, disse-lhe casualmente, como uma última provocação (até o momento) daquela noite:
Eu também te odeio, Beth. Durma bem e sonhe comigo, tudo bem?
Ah! Deixe de ser idiota, Adrian! Foram as suas últimas palavras daquela noite, mas àquela altura eu já estava um pouco longe dali...

Naquela noite tentei dormir, mas não foi possível, fiquei apenas pensando na Beth. Não entendia o porquê de estar com ela rondando a minha mente até altas horas da noite, e, contudo, era apenas nela que conseguia pensar. Estava tão inquieto que resolvi sair do meu quarto e ir direto para a sala, ler um livro, mas de nada adiantou, porque continuei inquieto, rodando em círculos pela sala, de um lado para o outro, com a imagem daquela garota invadindo a minha mente por completo, sendo que eu nem mesmo sabia o motivo daquilo. Por que tantos pensamentos direcionados a ela? Por que eu estava lembrando do momento em que a coloquei para montar no cavalo? Por que aquela cena daquele beijo ardente que havia lhe dado há uma hora atrás ainda continuava em minha cabeça, e não queria sair de maneira alguma? Por que eu desejava tanto tê-la por perto? Por que eu desejava tanto sentir seu corpo contra o meu? Por que, raios?! Por que?!
Percebendo que aquilo não me levaria a nada, e que não chegaria à conclusão alguma, sem contar o fato de que o sono já havia desaparecido há bastante tempo, decidi que a veria uma última vez naquela noite. Sorrateiramente, levemente, e sem fazer barulho algum, abri a porta com cuidado e leveza para não a acordar. Aproximei-me dela, que dormia como um anjo, e senti sua pele branca e macia uma vez mais. Acariciei-lhe as suas macias maçãs do rosto, com a palma da minha mão carinhosamente, e em seguida, seus cabelos, cujos fios negros como o anoitecer eram tão macios quanto seu rosto. Por fim, a beijei discretamente, porém com tenacidade, em sua pequena testa, e lhe disse, sussurrando:
Elizabeth March, você é estupidamente honesta. Durma bem, tenha uma boa noite de sono

Independentemente do fato que nós somente discutíamos, e de que ela me disse que me detestava, naquele momento era o que eu desejava àquele anjo: uma boa noite de sono. Mas algo bem, bem lá no fundo me dizia que eu desejava muito mais a ela. Ela era muito preciosa para mim. 

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