sexta-feira, 17 de abril de 2020

[Resenha] Fated to Love You - Parte 2: Comparações com o k-drama e as coisas que faltaram

Como disse na postagem anterior, aqui vamos abordar as comparações com a produção coreana que estrelou Jang Nara e Jang Hyuk como casal principal, o nosso eterno “casal caracol”. Já vou logo alertando duas coisas de antemão:
(1)  Se você não gosta de spoiler, não leia esta resenha, porque é o que mais tem aqui
(2)  Para quem for ler, tenha paciência, porque essa parte da resenha também está igualmente comprida.
Tendo isso em mente, vamos ao que interessa:
2.        Escolha do Elenco,  Interpretações e Comparações com a versão coreana
A escolha do elenco foi algo que me incomodou um pouco enquanto assistia. Achei que o casal não combinou; a impressão que tive foi a de que a atriz Takimoto Miori (Aya) era muito velha para fazer um par romântico com o Kizu Takumi (Kei).
Pesquisando no My Drama List, descobri que ela é realmente mais velha do que ele na vida real. Ela tem 28 anos, enquanto ele tem apenas 23. De qualquer forma, visualmente falando, eu achei que eles não combinaram, e nem tinham tanta química quanto o casal da versão coreana ou tailandesa (não vi a adaptação thai ainda, só assisti o trailer e o primeiro episódio pra dar uma espiada, mas pretendo reassisti-lo para relembrar alguns detalhes).
Além do mais, achei que faltou intensidade nas cenas de emoção (típico problema de j-dramas, na minha opinião). A Jang Nara nem precisa chorar, eu me emociono com ela assim que ela faz aquela cara tristonha, e fico de coração apertado quando ela fica decepcionada.
Por outro lado, essa atriz que interpretou a Aya não colocou tanta intensidade, não “entrou na personagem”, com a sensibilidade vde se colocar no lugar da personagem, de “sentir a cena”, da forma mais genuína e profunda.
O mesmo vale para o protagonista. Mas falando da menina, a Aya se decepcionava e eu sinceramente não me comovia. E quando ela chorou, naquele escândalo que fez no hospital (Ok, eu sei que ela estava desesperada por ter perdido um filho, o que é realmente triste e assustador, num primeiro momento, e me compadeço disso), desculpe a sinceridade, mas dava para ver que o choro era forçado.
Da minha parte, senti que não foi natural, até porque quando ela se dá conta que perdeu o bebê, a expressão facial dela deveria ser de choque e susto, mas não houve nenhuma expressão realmente intensa e apenas parecia confusa, sem saber o que havia acontecido nem o porquê da situação. Então, na próxima cena, ela começa a chorar compulsivamente, sendo que nem assustada ela estava, segundos atrás. Dava para perceber que, mesmo com a melhor das intenções de passar a mensagem do drama, era um choro forçado.
De resto, as cenas fofinhas em que demonstrava toda a compaixão dela foram bem interpretadas, de maneira sutil, ficando realmente fofinha e delicada! 😉
Quanto ao protagonista Kei, tive a impressão de que nesta adaptação ele ficou bem mais calmo e menos imponente. Interpretou bem as passagens em que deu confiança a ela, mas soube se impor nas cenas com Yamaguchi (este foi bem escolhido para o papel fiquei com raiva dele nas cenas em que apareceu)
Só acho que não rolou aquela troca de olhares entre o casal principal, não teve tanta conexão, daquelas que mesmo sem dizer nada, podemos identificar os sentimentos e os pensamentos dos personagens. Uma coisa que eu acho que faltou, foi destacar os pensamentos do Kei em relação a Aya, mesmo com a resistência dele sobre corresponder ao amor dela, ou até da parte da própria avó Kaoru, que só disse o quanto a neta era uma pessoa gentil no final da história, quando viu a caixa de desejos dela
Na versão coreana, tem algumas passagens em que são mostradas os pensamentos do Gun em relação à Mi Young, por tudo que ela fez por ele, pelo que ela representa na vida dele. Para mim, era um dos pontos que dava mais beleza e emoção para a obra, pois eu era capaz de compreender com mais precisão e profundidade o coração do protagonista, o que não aconteceu nesta nova adaptação.
Na versão coreana, a Madame Wang (avó do Gun), já percebe desde o início da convivência com a Mi Young o quanto ela é generosa e tem um bom coração, e comenta isso com a família e os funcionários da casa. Por outro lado, a Kaoru (avó do Kei) não expressa os sentimentos durante o drama, e só os revela nos últimos capítulos
A escolha das atrizes para interpretar a avó do protagonista também me incomodou um tantinho. Acho que a atriz que interpretou a Kaoru tinha muita cara de brava/chata, enquanto que a atriz coreana que interpretou a Madame Wang soube ser exigente com o neto, tinha uma expressão serena no rosto ao se dirigir a ele (ela parecia aquelas vovós que fazem bolinhos de chuva e que esperam um bisneto para completar a família)
Entretanto, depois que a Kaoru começou a ficar mais doce e amena, eu gostei e me apeguei mais a ela! 😉 Uma pena que não teve mais cenas fraternas entre ela e o neto ou com a própria Aya --- basicamente ela aparece na história para impor o casamento e chantagear o neto!
Era uma personagem que tinha muito mais potencial para ser explorada, poderiam tê-la retratado como a “segunda mãe” do Kei, a figura materna dele, daria um toque especial a mais na trama, ao abordar o tema familiar nas entrelinhas com maior teor.
Aya teve flashbacks com seu pai, mas o mesmo não acontece com Kei, nem ao menos mostram a família Ichijo, o que dá a entender que ele é extremamente solitário (por isso “fechado sentimentalmente) e a única parente dele é a própria avó. --- mas não fala se os pais morreram nem do que faleceram, sem contar o fato de que Kei é filho único nesta adaptação, o que explica os dizeres de sua avó, quando a mesma afirma que ele é o único herdeiro dos negócios (literalmente)
Está aí outra diferença com a trama coreana: na versão coreana, o Gun tinha um meio irmão, chamado Lee Yong, fruto do segundo relacionamento de seu pai. É dito que o pai faleceu de uma doença genética (que o Gun também tinha), e que a herança da família foi destinada ao Gun por ele ser o primogênito. Até a madrasta dele aparece no rolo todo, e causa pra caramba! Como podemos ver, o personagem Lee Gun possui uma estrutura familiar bem mais completa do que o Kei, que ficou completamente no ar.
Em contrapartida, Mi Young não tinha lembranças com o falecido pai durante a trama como a Aya teve. A semelhança entre as duas é que ambas convivem em uma família composta apenas por mulheres: duas irmãs mais velhas e uma mãe brava, osso duro de roer.
As partes da família da Aya foram as mais engraçadas, ri muito com todos eles, assim como na versão coreana eram as cenas que eu mais gostava de assistir, porque me arrancavam altas gargalhadas e dava uma equilibrada no enredo, por assim dizer, para compensar a grande dose de choro que a Jang Nara me proporcionava com a atuação ilustre dela!
Porém, uma coisa que eu preciso destacar é que os coreanos sabem dosar melhor o tempo de comédia, enquanto que os japoneses exageram demais na atuação em cenas desse tipo, deixando o personagem  extremamente esteriotipado
Por último, a atriz que fez a Anna foi muito bem escolhida, interpretou bem as cenas dela, e ao mesmo tempo em que fazia cenas fofinhas com Kei, também conseguiu ser a chatinha falsiane com a Aya, me deixando com muita raiva
A diferença com a trama coreana foi que a Kang Sera era mais fechada e mais séria, e a Anna gostava mais de ficar “grudada” no Kei mesmo de longe, em outro país, e conseguia ser mais extrovertida em alguns momentos, como é mostrado em uma das “fitas” gravadas que o Kei tem guardado no escritório dele.
No entanto, ambas me cativaram de maneiras diferentes, e guardo as duas no meu coração com muito carinho!
Achou que havia terminado os comentários dos personagens? Haha, ainda tem mais um! Ninguém mais, ninguém menos que a friendzone mais sofredora dos nossos corações: o Oppa do Bairro, aqui conhecido como Hayato
O ator escolhido para interpretar o Hayato combinou bastante com o papel para o qual ele foi designado. Adorava vê-lo protegendo a Aya, dando-lhe conselhos e se preocupando com ela, pelo fato de ela se importar demais com os outros e se colocar sempre em segundo plano, deixando de ouvir seu próprio coração.
A diferença entre a produção coreana e essa foi que na primeira eu sofri mais, porque o triângulo amoroso foi mais intenso e teve mais interações, item que comentarei a seguir
Ambos ganharam um espaço especial no meu coração, porque, vamos combinar, né? Uma vez Oppa do Bairro, sempre Oppa do Bairro!

3.        Comparação com a adaptação coreana – Enredo Geral
Por se tratarem de 10 episódios com apenas 36 minutos, a adaptação logicamente foi mais curta, por isso muitas coisas que tinham na produção coreana não tem  nessa. Vou apontá-las em dois grupos, sendo o primeiro os dos detalhes menores até os maiores

3.1. Semelhanças e diferenças: os pequenos detalhes
Aqui listarei os aspectos que não interferem em absolutamente nada na trama japonesa e que não me incomodaram ao assistir, mas eu como  boa observadora e mega fã da história, decidi registrar. Vamos lá:

a)     Cenário:
No primeiro episódio, a personagem Aya diz que ela mora em Sumisaki, descrita por ela mesma como “uma cidade costeira com vários lugares arquitetônicos”, sendo um ótimo lugar para relaxar.
Em um paralelo comum com a versão coreana, Mi Young mora na Ilha de Jeju, um lugar pacato e tranquilo, com vários pontos turísticos, bem diferentes das grandes cidades, como Seul, por exemplo inclusive com relação à arquitetura.

b)    Viagem
Na viagem que Mi Young faz, ela teoricamente vai para a ilha de Macau, na China, ou seja, ela faz uma viagem internacional. Na versão japonesa, porém, Aya faz uma viagem nacional, onde fica hospedada em um hotel chamado “Seaside”, para prestigiar um evento de uma Universidade

c) Profissões e Ocupações
Ao que parece a empresa da qual Kei é responsável, se trata de uma indústria química, já que aparentemente produz sabonetes. Em um paralelo comum com a versão coreana, Gun também era herdeiro de uma indústria química.
No entanto, a Kaoru não atua ativamente como responsável dos negócios, e não tem interação com o secretário Ando, e nem com nenhum funcionário da empresa ou servente da sua casa. Do contrário, a Madame Wang (avó do Gun), era constantemente chamada de “Presidente Wang”, pois apesar de sua idade avançada ela ainda atuava como Presidente supervisionando o andamento da empresa, e até mesmo chegou a ter uma ou outra cena com o secretário Tak, companheiro de Gun, e sempre que precisava ir à empresa ou de algum auxílio interno em casa, havia um ou outro funcionário de sua mansão para atender às suas necessidades e vontades.
Saindo do núcleo familiar do protagonista, e seguindo ao panorama  dos personagens secundários, na adaptação coreana é dito que Daniel Pitt é um designer mundialmente reconhecido, e pela sua paixão pelas artes, ele desperta em Mi Young a vontade de ela ser uma artista plástica, de ter algo com o qual se identifique e possa fazer de todo o coração, não por ele ou pelos outros, mas por ela mesma, porque gosta do que faz. Como ele mesmo disse certa vez: “se você colocar seu coração, você pode fazer qualquer coisa”.
Enquanto isso, na trama japonesa, não se menciona qual a profissão ou ocupação de Hayato, e sua relação com a Aya se restringe ao papel de “melhores amigos”, mas não desperta nela nenhuma vontade de ter um hobby ou explorar novos horizontes

3.2. Semelhanças e diferenças: os grandes diferenciais de enredo
Diferentemente do item 3.1 aqui listarem os itens que realmente me incomodaram, me estranharam ou fizeram falta no enredo, se comparado com a trama sul-coreana, sem contar com os furos no roiteiro! 😉

a) Confissão para o “padre”
Ao saber da gravidez inesperada, Mi Young se confessa na igreja para o “padre”, que na verdade é Daniel Pitt. Essa cena foi uma das mais tocantes, porque ela estava realmente abrindo seu coração, para tirar toda a anguústia e as dúvidas, para que pudesse encarar a situação de maneira positiva, como a chegada de uma benção em sua vida.
Na versão japonesa, a confissão não acontece, ela vai direto contar para sua família, que fica surpresa, e logo, Kei aparece, assumindo-se como o pai da criança. Não teve um intervalo de tempo para os acontecimentos, foi tudo muito rápido, não aprofundaram as emoções da personagem, sendo que essa cena seria uma excelente oportunidade para comover o telespectador. Sei que pela duração de cada episódio ser curta, as coisas de um modo geral tiveram que ocorrer mais depressa, porém achei que a retirada dessa cena e os acontecimentos seguidos sem nenhum distanciamento (não tinha nem ao menos uma nota no drama, dizendo quanto tempo se passou de uma cena para outra), ficou estranho e perdeu um pouco a essência da trama.

b) Triângulo amoroso
No enredo coreano, o triângulo amoroso é mais explícito na trama, tanto da parte do Gun, e sua relação com Kang Sera quanto da parte da Mi Young com o Daniel Pitt. Nessa adaptação não teve tanta interação, o triângulo amoroso é bem sutil e só acontece de fato na reta final, quando Hayato dá um ultimato para Kei, e quando no último capítulo, lhe diz que ele não sabe nada sobre ela. Gostaria que tivesse sido explorado mais esse quesito, ou que tenha uma segunda temporada para tal fim, dessa forma poderemos enxergar os sentimentos de cada um com mais precisão, e saber o que realmente cada um dos homens sentem pela protagonista. A amizade que o Daniel Pitt tinha com a Mi Young era algo encantador de se ver, e uma das cenas que me marcou até hoje foi aquele de quando ele a pede em casamento, entregando-lhe um buque de flores: “Você aceita ser a minha verdadeira família?”.
Foi ali que eu assumi meu sofrimento a 1000% pelo oppa ter sido deixado na friendzone! Se esse vínculo entre os dois fosse mais explorado na versão japonesa, teria um significado muito mais bonito para o telespectador.
Enquanto isso não acontece (e nem sabemos se acontecerá), vamos lembrar dos momentos fofos das duas versões, e guardá-las com carinho!

c) Situação familiar: Hayato x Anna
Na trama coreana Daniel Pitt e Kang Sera se aproximam, criam um elo de amizade e de carinho entre si, e depois descobrem que estão ligados pelo mesmo sangue. O nome verdadeiro de Kang Sera é Mi Young, a irmãzinha do designer Daniel Pitt.
 Na trama japonesa, apenas na reta final é mencionado que Hayato tinha uma irmã mais nova chamada Aya, mas durante a trama ele não estabeleceu qualquer intimidade com Anna, que mal apareceu na história. Em outras palavras, a situação familiar deles não foi aprofundada, o que me deixou desapontada, porque eu queria muito que esses dois personagens encontrassem a felicidade. E, apesar de tudo que a Anna fez ou deixou de fazer, eu acredito que, bem lá no fundo, ela tem um bom coração

d) Casamento
No enredo coreano, depois de assumirem que se amam, Mi Young e Gun se casam novamente, desta vez para valer, e têm dois filhos gêmeos. No japonês, por outro lado, eles ficam no dilema Anna/Kei/Aya, não assumem explicitamente o amor que sentem um pelo outro, e consequentemente não se casam novamente (por amor). O final desse drama foi completamente abrupto, deixando muitas pessoas inconformadas (e eu me incluo nisso).

e) Seguindo em frente
A protagonista decide viajar com Hayato para Okinawa e seguir seu próprio caminho. Essa cena se parece muito com aquela que a Mi Young decide viajar para a França (Paris), para estudar artes, acompanhada do Daniel Pitt, com a diferença de que na trama coreana, a Mi Young já havia descoberto um hobby/talento que era a pintura, e por isso decide se aventurar no exterior para aprofundar seus estudos. Porém, na trama japonesa, não é mostrado em NENHUMA CENA que a Aya tem algum tipo de hobby/interesse/talento para alguma área específica (não necessariamente precisa ser artes), por isso achei essa cena da despedida/viagem super estranha, porque basicamente ela está viajando para uma ilha distante de onde mora (Okinawa), sem nenhum objetivo definido, o que para mim é o mesmo que viajar sem rumo, e sinceramente, esse foi um furo bem grande no enredo! 😉

4.        Final vago (ou: a esperança de uma segunda temporada)
Esperamos que uma segunda temporada possa esclarecer todos esses aspectos que não foram explorados nessa adaptação, com a finalidade de “fechar” a trama de uma maneira decente com o final feliz e merecido para todos os personagens. Caso contrário, esse drama foi uma grande decepção, já que não tem a metade das coisas que tinha no coreano.
Se os episódios tivessem maior duração ou se fosse uma série com o dobro de episódios com a duração de 36 minutos, daria para adaptar melhor, e mesmo assim ainda acho que necessitaria de uma segunda temporada.
Eu particularmente gosto de dramas curtos porque assisto mais, em menos tempo, e tem certos enredos que cativam mesmo sendo curtos, porém eu não gosto quando as produtoras tiram a essência da obra, não fica legal, me incomoda, até porque quando eu gosto de algo eu revejo várias vezes as partes que mais tocam, e sei exatamente o que aconteceu na trama (talvez não com todos os detalhes, mas lembro claramente dos principais aspectos)
Por isso eu fiquei tão incomodada com essa adaptação. Não tiro o mérito das coisas boas, teve partes que eu realmente gostei, achei fofas, dei risadas e agregaram bastante para mim como pessoa, como listei na primeira parte da resenha “As 12 lições que tiramos do drama e levamos para a vida”, porém sob outro ângulo, na minha perspectiva o enredo foi extremamente superficial se comparado com o coreano, e poderia ser melhor aproveitado.

5.        Trilha Sonora e Produção Geral
Uma coisa que eu gostaria muito que o Japão melhorasse é a trilha sonora. Não sei por que raios TODO J-DRAMA tem apenas uma música tema (na verdade três, se contar abertura e encerramento). A música tema escolhida para este j-drama combinou bastante, visto que a letra é bem poética e de certa maneira, reflete os sentimentos dos personagens, principalmente do Kei, que constantemente se decepciona por conta da Anna que só dá bola fora com ele o tempo todo! (Dá até raiva dela por isso, só de lembrar)
No entanto, como eu disse, tem apenas UMA música. Se em 10 episódios tivessem pelo menos três canções (sem contar abertura e encerramento) já estaria de bom tamanho, porque expressaria pelo menos três sentimentos distintos: contentamento, tristeza (nas cenas de emoção) e decepção/descontentamento.
Nas produções coreanas, principalmente em “Fated to Love You”, cada momento/sentimento era expresso através de uma canção diferente, e no instante certo, sincronizando perfeitamente com a cena, me emocionando ainda mais, o que não aconteceu na produção japonesa, porque não houve sintonia suficiente entre a cena e a melodia, sem contar que era a mesma durante os dez episódios


Conclusões finais
Apesar dos furos e do curto tempo de duração  de cada episódio, esse drama é para as pessoas que desejam algo leve e divertido, para relaxar, passar o tempo e refletir sobre alguns aspectos da vida e os valores que devemos carregar conosco.
Recomenda-se assistir como uma história “à parte”, porque se for comparar detalhadamente como fiz aqui, verá que falta muita coisa no enredo.
Os atores poderiam ser melhores, assim como a sonoplastia e a produção em si, mas ainda assim um bom drama, com uma mensagem linda de autoconfiança, recomeço, sacrifício, compreensão, aceitação e perdão.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

[Resenha] “Fated to Love You” – As 12 lições que tiramos do drama e levamos para a vida.

Informações Gerais do Drama
Título: Fated to Love You
Também conhecido como: You are my Destiny ou Unmei Kara Hajimaru Koi.
Descrição: Remake da obra taiwanesa “Fated to Love You”, baseado no manhua de mesmo nome.
Gênero: Comédia, drama, tragédia, cotidiano
Emissora: Fuji TV
País: Japão
Episódios: 10 episódios de 36 minutos cada
Tipo: Renzoku (dramas de 30 a 40 min por episódio)

Bem, depois de meses resolvemos voltar com as resenhas no blog. Recentemente assisti à versão japonesa do drama “Fated to Love You”.
Quem me conhece sabe o quanto eu amo essa história: já li o manhua original e assisti a versão coreana com muito amor e carinho.
Decidi  que apreciaria essa adaptação quanto antes, e foi o que fiz. Assisti rapidamente os 10 episódios da série, que me trouxe lembranças e sentimentos bons. Vamos ao que interessa.
Primeiramente, eu gostaria de dizer que se tem uma palavra que descreve bem esse drama é “sacrifício”, já que o casal principal se sacrifica pela pessoa amada, em um leve triângulo amoroso.
Em segundo lugar eu queria dizer que eu me empolguei tanto ao escrever essa resenha que vou ter que dividi-la em duas partes, com cinco tópicos no total.
Nessa primeira parte, farei uma breve introdução dos personagens principais da trama e logo falarei das importantes mensagens contidas no drama, motivo pelo qual essa postagem é nomeada de “As lições que tiramos do drama e levamos para a vida”
Comecemos com as estrelas da vez:
Sato Aya (Takimoto Miori) é uma funcionária de uma grande empresa na área administrativa, sendo prestativa e amiga, motivo pelo qual muitos se aproveitam da mesma para pedir-lhe pequenos favores como tirar 50 cópias de um documento, comprar comida ou pegar um café. Por esse motivo, ela é conhecida como “garota post-it”. Quando necessitam dela, todos a chamam, mas também é muito fácil descartá-la
Ichijo Kei (Kizu Takumi) é herdeiro de uma grande empresa, e, de início, não sabe que Aya é sua funcionária. Os dois acabam se encontrando por mero acaso, passam a noite juntos e logo descobre que está prestes a ter um filho com Aya. Entretanto, sua paixão é Anna, sua prometida (a princípio) e amiga de infância.
Shiraishi Anna (Ishikawa Ren) é uma garota sonhadora, que sempre quis ser uma grande bailarina, motivo pelo qual foi estudar em NY, através de um intercâmbio, deixando sua vida pessoal em segundo plano
Okamoto Hayato (Tokito Yuki) é o cavalheiro da friendzone desse drama. O melhor amigo de Aya, seu protetor e rival de Kei. Nessa temporada não foi explorada a relação de Hayato e Anna, como nas demais adaptações da trama.

Diferentemente das demais resenhas que faço uma explanação geral dos acontecimentos com uma leve introdução, nessa resenha, dividirei os assuntos em tópicos, dando meus pareceres sobre cada um deles.
Queria deixar claro também, que essa é apenas a minha opinião a respeito dos fatos, fique a vontade para tirar suas próprias conclusões. Ainda assim, espero que possam aproveitar ao máximo essa resenha, de maneira a proporcionar uma nova perspectiva para fazer-lhes refletir com profundidade os aspectos aqui tratados.
Mesmo que haja algo com que discorde, por favor, leia até o final, fiz com muito carinho e coloquei todo o meu coração e alma nessa resenha. Obrigada.

1.        Temas explorados na trama: As 12 lições que tiramos do drama e levamos para a vida
Nas entrelinhas do dorama, é possível encontrarmos passagens que, se puderem ser interpretadas mais profundamente, podem nos trazer valiosas lições que levaremos para a nossa vida. Em alguns itens dessa lista, demonstrarei de forma simplificada o quanto alguns valores como honestidade, honra e família, são valores milenares presentes tanto na cultura japonesa quanto na cultura oriental como um todo.

1.1.          Ser gentil, amorosa e honesta
Aya aprendeu desde cedo com seu pai que se ela fosse uma pessoa gentil e de coração puro, um “príncipe encantado a encontraria” como no Conto da Cinderela. Não tenho nem como discordar dessa fala. A melhor solução para tudo é sempre ser verdadeiro e honesto, com um coração amável
Aliás “honestidade” é um dos valores principais para os japoneses e com um significado bastante profundo, eu devo dizer. Ser honesto não significa apenas dizer a verdade aos outros, mas ser ser verdadeiro com o próprio coração, seguir a intuição e conseguir o que se deseja através do esforço e dedicação, com suas próprias pernas. Ser honesto também significa colocar em prática todos os seus princípios, e honrar sua palavra.
Essa é uma virtude enraizada na cultura japonesa desde a Idade Média, no mínimo. Uma das palavras chaves do Código dos Samurais é “Makoto”, vocábulo que significa literalmente “verdade”/”verdadeiro”, ou de maneira mais poética/profunda: “sinceridade absoluta”.
Isso quer dizer que um samurai não precisaria jurar/prometer como nós fazemos às vezes, porque uma vez que se comprometeu com algo, ele irá fazer. Assim, sendo, um dos princípios do Código dos Samurais era: “Siga sempre o caminho da verdade”

1.2.          Valorizar a família
Aya se lembra lucidamente das conversas que tinha com o pai e de tudo que ele lhe ensinou. Valorizar a família é o dever de todo ser humano na Terra, porque é a base da sociedade e é onde se forma o nosso caráter e os valores. Como já dizia Confúcio: “não é possível ensinar aos outros, se você não é capaz de ensinar sua própria família”.
Esta frase ilustra bem o fato de que as virtudes que guiam as pessoas provém da família, e que a primeira pessoa que deve ser instruída é seu ente querido, principalmente seu filho, que será seu herdeiro, no sentido mais profundo da palavra.
Através do drama “Fated to Love You”, podemos ver claramente que o nosso coração é o reflexo do coração dos nossos pais, e daquilo que eles nos ensinaram. O pai de Aya sempre lhe disse para ser honesta, generosa e amorosa, e isso se reflete em suas atitudes, sempre prestativa, se colocando no lugar dos outros, prezando o sentimento, as necessidades e os desejos alheios mais do que os seus próprios, de forma a demontrar o seu amor com pequenos atos de compreensão e carinho.

1.3.          Ter um herdeiro é continuar uma família
No início do drama, a avó de Kei, Ichijo Kaoru diz que ele só poderá herdar os negócios da família se estiver devidamente casado e tiver um filho.
Para muitos, isso pode ser apenas um mero clichê de dorama ou mangá, mas, na realidade existe um significado e uma importância bem maior nisso para os japoneses, sendo um pensamento de toda uma cultura.
Para os japoneses, ter um herdeiro é continuar o nome e a honra da família, ter alguém que continue a tradição, os valores prezados desde sempre pelos antepassados
Além do que, se um homem não for capaz de cuidar da família, também não será capaz de se responsabilizar pelas outras pessoas (funcionários de uma empresa, por exemplo).
A partir daí podemos enxergar a influência do confucionismo no pensamento oriental, como expresso na frase mencionada anteriormente: “não é possível ensinar aos outros, se você não é capaz de ensinar sua própria família”.
Ser um chefe de família ou de uma empresa significa ser capaz de ser um exemplo de respeito, honra, responsabilidade, honestidade e dignidade aos demais, porque a longo prazo, são os valores que guiarão esta e as próximas gerações, que formarão uma sociedade mais harmoniosa e digna.

1.4.          Ter autoconfiança
Apesar de benevolente, Aya tinha muito medo de expressar o que sentia ou o que pensava, para não parecer rude ou insensível aos olhos dos outros. Ao conhecer Kei, este lhe dá autoconfiança, para encarar as coisas de cabeça erguida, sem nunca deixar se abater e confiar em seu próprio potencial.
De fato, ser autoconfiante é a peça chave para conquistarmos nossos maiores sonhos, e nos realizar pessoal e profissionalmente.

1.5.          Não subestimar quem está ao redor
Yamaguchi, o advogado sem vergonha que convidou Aya para viajar, na verdade apenas queria uma companhia para sair, mas não a tratou devidamente. Ao invés disso, foi prepotente, tanto com ela quanto com Kei ao presumir que venceria a disputa de sinuca porque tinha “a deusa da vitória” ao seu lado. Kei, por outro lado, respondeu: “sabe por que você perdeu? Porque você deixou a verdadeira deusa da vitória partir”, referindo-se a Aya.
Moral da história: nunca subestime quem está ao seu lado, porque a mesma pode ser uma pessoa linda, por dentro e por fora, uma joia que apenas precisa ser lapidada.

1.6.          Construir uma família é uma dádiva, e honrá-la é um dever.
Ter um filho é uma dádiva, uma benção para os pais que podem finalmente constituir uma família, se completarem com um novo ser, que fará parte deles por toda a eternidade. Abortar significa tirar o direito à vida (inalienável a todo ser humano), tirar o direito de ser mãe e de dar à luz a uma nova vida que chega a este mundo, além de ser uma forma de renegar a responsabilidade de constituir e proteger a família, que é primordial em uma sociedade saudável.
No Japão, o aborto ou “esterilização forçada”, como eles chamam o processo cirúrgico para a retirada do neném,  só é legalizado em casos específicos. No “Maternal Health Act” (“Ato de Saúde Maternal”, em inglês), Capítulo II, Artigo 3, está escrito:

(1)   Um médico pode realizar a esterilização em uma pessoa que está sob as seguintes condições, ao obter o consentimento da dita pessoa e do esposo dessa referida pessoa (se uma pessoa não legalmente casada, incluindo uma pessoa que em termos práticos está em um relacionamento parecido com casamento com o dito indivíduo, o mesmo se aplica daqui em diante) se existir. Contudo, isso não se aplica a menores de idade.
(I)                Uma pessoa cuja gravidez ou parto possa colocar em risco a vida, e
(II)             Uma pessoa que atualmente já tem vários filhos, e cuja saúde corporal possa ser reduzida significativamente com cada parto.
(2)  Nos casos listados nos itens anteriores, o médico também deve realizar esterilização no cônjuge, nos termos das provisões de cada item do parágrafo anterior
(3)  A respeito do consentimento apresentado no parágrafo 1, o consentimento da parceira não é necessário se o esposo não sabe ou não consegue expressar a intenção da esposa.

Nota da Rebeca: Lembrem-se que na Ásia a maioridade é 20 anos 

1.7.          Sacrificar-se é uma prova de amor, ainda que machuque seu coração
Kei sempre priorizou Anna, colocando seus desejos e necessidades acima de seus próprios, tanto que deu todo o apoio emocional para ela realizar seu grande sonho de ser uma bailarina de renome internacional, e tolerou todas as furadas que ela deu, sempre pensando nela, entretanto a mesma não priorizou o relacionamento, nem se deu conta de tudo o que Kei estava fazendo por ela, enquanto ela só dava atenção única e exclusivamente aos seus anseios. Ironicamente, Kei acaba cometendo o mesmo erro com Aya, que prioriza as emoções e desejos dos marido, se colocando em segundo plano, sem notar o sacrifício e a boa vontade dela em fazê-lo feliz, uma vez que só pensava em proteger Anna e lutar pelo amor que tinha por ela. 

Aqui cabe a citação de uns versos da música “Story”, da cantora Ai Uemura:

“Às vezes nós machucamos os demais, enquanto somos machucados.
Por isso as cores que preenchem o nosso redor são distintas, mas...
Eu vou continuar a viver enquanto escrevo minha própria história”

A relação Aya/Kei/Anna ilustra que quando amamos alguém fazemos de tudo para que a pessoa amada seja feliz, , para que seja feliz em todos os momentos, independente de onde, com quem ou o que esteja fazendo. Isso requer compreensão e empatia, mas também cumplicidade e confiança, demonstrando seu amor e carinho das mais diversas formas

Por fim, vale lembrar: “O amor não é uma luta”, mas vale a pena lutar por ele.

1.8.          A alegria está nos pequenos gestos e momentos. O que vale são sentimentos
Quando Aya aceitou viajar com Yamaguchi, ela assim o fez porque pensou que pela primeira vez, alguém se interessava por ela. Quando Kei lhe deu autoconfiança, e a concedeu uma mudança de visual, ela valorizou o gesto, porque, ele pensou nela como uma pessoa digna, deu valor ao potencial dela, ao invés de enxergá-la como uma menina simples, ingênua e “post-it”.
Quando Kei lhe deu o cartão para que comprasse o que quisesse e pudesse apreciar a Tokyo Tower, o importante não era o dinheiro ou presente, mas o fato de que ele havia lembrado do aniversário dela, e que pela primeira vez, ela poderia comemorar seu aniversário.
Vemos a partir da personagem Aya que o que realmente importa não são bens materiais, e que a felicidade se encontra conosco quando reconhecemos mas os gestos e as boas intenções das pessoas em nos fazer felizes. São esses gestos e esses pequenos momentos de alegria que devemos guardar para sempre no coração.

1.9.          Aproveite hoje, para ter memórias amanhã
Em determinada cena do Episódio 7,  Aya diz a si mesma: “Tudo bem se forem apenas sete meses. Eu quero ter lembranças com Kei”. A lição que fica nessa passagem é: aproveite os momentos do presente (com a pessoa te correspondendo ou não), para que não tenha nenhum arrependimento no futuro, de não ter aproveitado todas as oportunidades de estar com a pessoa amada e/ou tê-la demonstrado seus sentimentos. Aproveite o agora, pois serão as lembranças do amanhã.

1.10.     O amor não avisa quando chega, e nem tudo gira ao nosso redor
Anna pensou que Kei sempre a escolheria como parceira e priorizou apenas a sua carreira profissional. Nesse meio tempo seu prometido encontrou Aya e se apaixonou por ela (mesmo que tudo tenha começado a partir de um contrato). O amor não espera por ninguém, nem avisa a hora de chegar, pois se manifesta sutilmente, aos poucos, com a convivência do dia a dia. Na relação entre Anna e Kei percebe-se que, devido ao distanciamento físico, também ocorre a distância emocional, de cumplicidade e amor.
Portanto se você realmente ama alguém, lute por esse sentimento, ou vai sofrer as consequências da famosa frase “a fila anda”, uma vez que nem tudo gira ao nosso redor, nem podemos ter tudo o que queremos e devemos saber lidar com as consequências de nossos atos

1.11.     Encare a realidade, ou algo pior pode acontecer
Anna quis a qualquer custo ficar com Kei, que não a correspondeu, por isso, contou uma mentira e lhe entregou um documento errado. Um pequeno mal-entendido levou a uma grave consequência, que foi a perda de um bebê.
Dessa atitude impensada de Anna, podemos tirar a seguinte lição: encare a realidade, ou algo pior pode acontecer no futuro. É bem melhor você aceitar a realidade tal qual ela é, mesmo que sofra, do que partir para vinganças e injustiças que podem interferir diretamente no destino de alguém.
Portanto, se você ama alguém verdadeiramente, respeite as escolhas dessa pessoa, é o mínimo que você pode fazer por ela.

1.12.     Saber recomeçar e seguir em frente
Depois de ter passado por muita coisa, a gente aprende a persistir e ser forte, superando todos os desafios que aparecem no meio do caminho. Tristezas, alegrias, decepções e conquistas fazem partes da vida de cada um de nós. Basta sabermos lidar com cada situação e tirar algum aprendizado. Para isso, muitas vezes, necessitamos de um recomeço, de um novo ponto de partida, investindo em algo em que possamos nos dedicar de todo o coração.
Se você chegou até aqui, parabéns pela paciência! 😉 
Na próxima postagem, começaremos do item 2 e iremos até o 5, os quais tratam da comparação das produções japonesa e coreana, tal como as minhas impressões finais da obra.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

[Resenha] Mundo Singular: entenda o autismo

Título: Mundo Singular: entenda o autismo 
Autores: Ana Beatriz Barbosa Silva, Mayra Bonifácio Gaiato e Leandro Thadeu Reveles
Ano: 2012
Páginas: 288
Editora: Fontanar – Selo do Grupo Companhia das Letras
Tema: Neuropsicopedagogia

A psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva juntamente com outros profissionais escreveu o livro “Mundo Singular”, relatando sobre as características do autismo,  as reações das crianças, os motivos que levam a isso e o desenvolvimento e a evolução de cada uma delas, sempre com exemplos claros e práticos, desde as pessoas que possuem o nível mais leve da síndrome, chamado pela autora de “traços de autismo”, passando pela Síndrome de Asperger até chegar no que se denomina como “autismo clássico”, o mais grave de todos.

As crianças especiais demoram um pouco para aprender certos assuntos, especialmente aqueles que não dominam, porém são inteligentes e esforçados e conseguem se superar a cada instante. Eu sou a prova de que, quando nos dedicamos, conseguimos realizar tudo o que queremos e ir mais longe do que as pessoas imaginam! Não é à toa que eu e minha mãe sempre dissemos que as pessoas especiais dão de 150 a 200% a cada vez que fazemos algo; 100% do potencial para mostrarmos a nós mesmos que somos capazes e os outros 50 a 100% para mostrar aos outros o potencial que não se enxerga à primeira vista!
Uma outra palavra que não me agrada é “à margem”. No próprio início do livro é dito que:

“(...) Geralmente está associada a alguém "diferente" de nós, que vive à margem da sociedade e tem uma vida extremamente limitada, em que nada faz sentido. Mas não é bem assim. Esse olhar nos parece estreito demais: quando nós falamos em autismo, estamos nos referindo a pessoas com habilidades absolutamente reveladoras, que calam fundo na nossa alma, e nos fazem refletir sobre quem de fato vive alienado.”

Concordo muito com os autores nesse trecho da obra. Muito, mesmo! Autistas são pessoas incríveis, com potenciais enormes. E, infelizmente, tenho que concordar com ela no quesito em que muitos ainda enxergam aqueles com necessidades especiais como alguém “marginalizado”. Mas eu detesto esse pensamento, acho completamente errado! Como eu gosto de pensar: “não estamos à margem da sociedade, nós fazemos parte dela”
E acrescento para dizer que se não fosse por nós, que temos as mentes excepcionais, não haveriam as fórmulas de física, nem os celulares, nem a Microsoft (para quem não sabe, o Bill Gates tem Síndrome de Asperger, tipo leve de autismo).
Os maiores gênios da matemática, física, informática, música e artes tiveram algum tipo de síndrome neurológica (não necessariamente autismo) e mesmo assim deixaram a sua marca no mundo e fizeram história. Por isso, eu digo que não estamos à margem da sociedade, pois somos nós que a construímos e a tornamos melhor.
Assim sendo, apelo para que mudem esse pensamento e comecem a enxergar o melhor nessas pessoas, ao invés de tratá-las como um excluído de quem precisa ter pena. Mudar o pensamento é o primeiro passo para uma inclusão social de verdade, pois assim, os demais passarão a valorizar seus talentos e habilidades, independente de qualquer condição.
No mais, voltando ao assunto especificamente do livro, gostei que os escritores abordaram temas como família (as mães que se cobram ou se culpam por algo), a escola e a leis que garantem a inclusão e os direitos dos autistas.
Eles explicam os comportamentos das crianças com autismo, e dá dicas para pais e professores colocarem na prática, a fim de que possam ajudar no desenvolvimento da criança. Com muito amor e dedicação, as crianças conseguem evoluir de forma eficiente aos poucos, passo a passo, principalmente nas áreas de linguagem, na qual geralmente se encontram as maiores dificuldades dos autistas.
Muitos possuem mais facilidade para exatas, uma vez que é mais prático e lógico. 2 + 2  sempre serão 4. É algo simples e objetivo, diferente do português, por exemplo, em que uma única frase possui inúmeras interpretações.
Por falar nisso, ressaltam várias vezes que as crianças autistas tendem a interpretar as coisas de maneira literal, e não compreendem duplos sentidos (ambiguidade) ou figuras de linguagem, como metáforas.
A exemplo disso, afirmou-se no livro que, se alguém disser a um autista: “sou todo ouvidos”, ele vai entender que você é um ouvido enorme, e não que o está escutando. Por isso, deve substituir essa expressão por algo como “eu estou te escutando”, para evitar mal-entendidos causados pela ambiguidade da mensagem.
Em “agora está na hora de fazer tal coisa”, a palavra “hora”, para a criança é interpretada literalmente como o horário marcado nos ponteiros do relógio, e não ao momento em si. Assim, deve haver cuidado com esse aspecto também.
Contudo, sob outro ângulo (pela minha interpretação), podemos analisar que os autistas são extremamente responsáveis, porque seguem uma rotina à risca.
O lado negativo é que eles são inflexíveis a mudança de rotina e tendem a reagir mal. Daí a importância de se compreender as necessidades deles. Os pais tem uma participação importantíssima na vida dessas crianças, e a primeira coisa é aceitá-las como são.
Não adianta se culparem pela situação, já que ninguém sabe a causa exata do autismo, e varia de caso a caso. Existe um lado genético sim, que é bastante estudado, mas não se sabe com exatidão de onde vem, diferentemente da Síndrome de Down, por exemplo, que há muito tempo se sabe que se trata de uma disfunção no cromossomo 21, o que explica seu nome científico (Trissomia do 21), tal como o Dia Internacional da Síndrome de Down (21/03)
Por fim, existem as leis que garantem os direitos dos cidadãos autistas tais como o  Benefício da Prestação Continuada (BPC), e o Artigo 54 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que garante em seu inciso III:
“atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”
Essa obra foi escrita em 2012. Desde essa época já foram sancionadas outras leis em prol das pessoas com necessidades especiais e para o autismo. Como exemplo, podemos citar:
A Lei nº 16.107, de 13/01/2016 válida no estado de São Paulo

“Proíbe a cobrança de taxa de reserva, sobretaxa ou quaisquer valores adicionais para matrícula, renovação de matrícula ou mensalidade de estudantes com síndrome de Down, autismo, transtorno invasivo do desenvolvimento ou outras síndromes e dá providências correlatas” 

Este ano, no dia 8 de janeiro de 2020, o Presidente da República sancionou a lei 13.977, conhecida como “Lei Romeo Mion” (em homenagem ao filho de Marcos Mion, que ficou conhecido por sua história “A Escova de Dentes Azul”)
A lei  institui a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA), sob expedição gratuita, garantindoatenção integral, pronto atendimento e prioridade no atendimento e no acesso aos serviços públicos e privados, em especial nas áreas de saúde, educação e assistência social.” (Art. III)

Além das legislações vigentes, a própria população vem se conscientizando sobre o autismo. Como prova disso, podemos citar um caso especial em Santa Catarina: uma professora da rede pública, Ruth de Cássia Rodrigues, fez uma “sala sensorial” em sua escola, com o objetivo de fazer compreender o autismo através da prática, de forma que os alunos entenderiam o porquê de os colegas com autismo sentirem medo, susto ou se incomodarem com barulho ou cheiros fortes, por exemplo.
Depois, os alunos fizeram um teatro sobre autismo. Estudantes de outros colégios também se interessaram pela ideia e tiveram a oportunidade de ter essa mesma experiência. Ao todo, 1300 pessoas, contando com pais alunos e convidados puderam passar pela “sala sensorial”, parte do projeto “Meu Mundo Azul”. Essa admirável iniciativa foi divulgada pela Deputada Estadual Ana Caroline Campagnolo (PSL/SC) através de sua Moção n° 0508.5/2019, em homenagem ao Dia do Professor.
Como podemos ver, ainda há uma luz no fim do túnel, existem pessoas realmente boas de coração, que se importam e se interessam de verdade por uma causa social.
Espero que a cada passo, possamos progredir sempre mais!

Conclusão: uma recomendação essencial
O livro é bastante informativo, com informações claras e objetivas a respeito do autismo. Uma recomendação essencial de leitura para quem quer aprender sobre o assunto em suas mais variadas vertentes. Para mim foi um grande aprendizado e o primeiro passo para eu me aprofundar mais meus estudos. Pude conhecer melhor o comportamento dessas crianças e suas causas. (Aliás, foi por causa desta obra consegui analisar com mais precisão os 4 curtas metragens que indiquei no blog)
Me identifiquei com algumas passagens (ainda que poucas), motivo pelo qual tornou-se uma leitura mais prazerosa a cada página. Sempre que nos identificamos com algo, o sentimento é bem mais profundo! Para quem tem familiares ou alunos autistas, está aí uma excelente recomendação de livro! Mesmo para quem não tem parentes ou alguém próximo que seja autista, sugiro que leiam, porque segundo estatísticas recentes, 1 a cada 58 crianças pertencem ao Espectro Autista.
Aos observações que fiz são relacionadas aos meus sentimentos, emoções, conhecimentos e pesquisas. Compartilhar o que sentimos na pele, ou desabafar sobre aquilo que guardamos no coração é sempre bom! Espero sinceramente que as minhas humildes e honestas palavras tenham sido capazes de lhes tocar da melhor maneira possível, depois de abrir todo o meu coração para vocês (que está mais parecendo um tratado sobre autismo do que uma resenha comum de um livro. Geralmente escrevo umas 3 páginas, essa deu um pouco mais que o dobro)
As observações sobre as leis atuais foram meramente para fins de conhecimentos gerais, porque acho que quem está de alguma forma engajado na inclusão social deve saber das leis que nos regem, nos atualizando a cada instante! (Na postagem, mencionei uma das leis estaduais de São Paulo, mas para aqueles que eventualmente moram em outro estado, e/ou tiveram curiosidade, deem um Google e entrem na página oficial da Assembleia Legislativa de seu respectivo estado)
Por fim, a esperança está em cada um de nós, na vontade que temos para mudar o mundo ao nosso redor. O futuro, somos nós que construímos!
Até a próxima indicação de leitura!