domingo, 6 de outubro de 2019

[Resenha] The Dragon’s Prince Bride: O príncipe e sua "Cinderela"

“The Dragon’s Prince Bride” 
Título: The Dragon’s Prince Bride
Tipo: Manhwa (Série)
País: Coreia do Sul
Capítulos: 24 (Primeira Temporada)
Gênero: Josei, Romance Histórico, Fantasia, Drama e Comédia
Publicado originalmente em: Tapas
Onde ler: Batoto(Inglês)



Achei essa história por acaso e devorei, de tão cativante que foi.  “The Dragon’s Prince Bride” é um webtoon baseado em uma novel de mesmo nome. O enredo gira em torno de Sylvia, uma moça na casa dos 20 anos que teve uma desilusão amorosa, após seu “príncipe encantado”, Henry, a expulsar duramente de casa. A partir de então, ela parou de acreditar no amor, na paixão e em sonhos, que antes acreditava serem possíveis de se realizar.
Após ser desiludida por seu marido, ela voltou a morar com o pai, mas de nada adiantou, pois, sua situação pessoal não melhorou, muito pelo contrário, apenas se agravou, e ela passou a trabalhar para uma rica família.
Pareceu-me como se ela fosse “a nova Cinderela”, aquela que faz tudo para o patrão (que tem uma filha) e vive sob péssimas condições, cuja única função é servir aos outros e nada mais. Sem contar que a aparência dela, loira e branquela, e bastante posteriormente com um vestido azul, se assemelha bastante à Cinderela que conhecemos.
Acontece que enquanto Sylvia estava fazendo uma de suas tarefas em uma floresta, ela repentinamente se depara com um homem desconhecido, que necessita de ajuda. Ela o salva, e a partir de então, todos os dias lhe traz comida e lhe faz companhia.
Trata-se do Príncipe Dragão, Keil, de 24 anos, que veio ao mundo humano e acabou nesta floresta (nessa primeira temporada não é explicado o motivo de ele ter vindo parar lá)
Ele tem sua própria língua e não consegue se comunicar apropriadamente com Sylvia, mas de alguma maneira, entende o que ela diz.
Esse quesito me fez pensar que não precisamos nos comunicar apenas com palavras para demonstrar o nosso amor por quem gostamos. Atos dizem bem mais do que palavras.
Atos esses que demonstraram o quanto Keil é um grande Príncipe, corajoso, carinhoso, um homem de valores e que faz de tudo para proteger sua amada e garantir a liberdade da mesma, para que tenha uma vida digna e proveitosa.
Uma relação de carinho mútuo é revelada através das páginas, gostosa de acompanhar. Apenas um fato que não gostei foi a resistência da mocinha em relação aos atos do rapaz. Entendo que ela tinha medo de se machucar novamente, porém depois de passarem tantos momentos juntos, já era de se esperar que ela confiasse mais nele e em seu próprio sentimento.
Tirando esse fato, foi uma leitura extremamente proveitosa. Cenas do passado de ambos apareceram para incrementar a história e explicar sobre os sentimentos e decisões dos personagens, dando mais significado e sentimentalismo à obra.
Gostei do enredo e a arte é bastante delicada, com traços leves e encantadores! E com todas as páginas em cores!
Recomendo a todos aqueles que gostam de uma boa história que reúne drama, romance, comédia, ação e fantasia. E, em seu entorno se encontram as dúvidas, medos, desejos, planos, sonhos, sentimentos e emoções.
Apaixone-se você também, pelo Príncipe Dragão e sua “Cinderela”
Um beijo e até a próxima indicação,
Rebeca

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

[Dream of Fuyao] Capítulo 11 – Ainda não é a hora certa.


Logo que as palavras saíram, ela se sentiu como uma criança que foi pega fazendo uma travessura.
Nangong Huo acariciou suas bochechas para acalmá-la:
— Ainda não é a hora certa.
“Ainda não é a hora certa? Você quer fazer com que a nossa primeira vez seja divina?”
Naquele momento, ela estava impaciente e ansiosa, como uma antiga garota.
Ele abriu seus braços e olhou fixamente para ela:
— Minha querida princesa, ajude-me com minhas roupas.
Ela fez careta. “Esqueça”. Ela não tinha sorte. Alguma vez ela teria relações sexuais?
Ela o ajudou a tirar suas roupas. Quando as roupas foram retiradas, ela não conseguiu evitar senão engolir em seco ao olhar para sua figura, que não perdia nem um pouco para seu chefe.
Pelo menos, ela alcançou o prato principal – a roupa íntima dele. Ela engoliu em seco.  Infelizmente, aquilo que está embaixo poderia apenas ficar por conta de sua imaginação, já que ela não ousava puxá-lo para baixo.
Nangong Huo de repente deixou escapar:
— Por que você não tirou suas roupas? Quer que eu te ajude?
Ela balançou a cabeça energicamente:
— N – N – Não! Eu posso fazer isso sozinha!
“Ainda assim, é mentira. Você realmente quer que nos banhemos juntos?”. Só o fato de pensar sobre isso, a deixava tímida. Se isso não estivesse tão claro, ela já teria tirado sua roupa há muito tempo.
No fim das contas, ela permaneceu com sua roupa íntima e submergiu na água, enquanto Nangong Huo ainda tinha suas costas largas viradas para ela.
No momento seguinte, ela escutou um “splash” atrás dela. Ela imediatamente se agachou na grande banheira, imergindo-se na água quente. Ela só se sentiu segura quando seu peito estava escondido.
Ela deu meia volta e quase bateu nele. O rosto dela ficou em um de vermelho intenso.
Ele observou sua aparência acanhada e, do canto de sua boca saíram as palavras:
— Minha querida princesa, você está querendo lavar minhas costas?
— S – Sim — Ela gaguejou, enquanto acenava com a cabeça.
Se ela lavasse suas costas, essa seria a desculpa perfeita para evitar ser afetada pela fatalidade de seu rosto.
Murong Fuyao teve um sentimento estranho. Mais cedo, ela estava extremamente ansiosa para experimentar algo novo, mas, neste momento, até mesmo lavar as costas dele a fazia ficar tímida ao ponto de ela querer enfiar-se em um buraco.
Haviam muitas contradições guerreando dentro de si. De um lado, ela queria ficar íntima dele num impulso, mas, de outro lado, ela estava preocupada com as consequências que essa impulsividade a traria. No fim, ela ainda desejava dormir com o homem parecido com seu chefe.
De fato, era muito comum para muitas jovens garotas na organização terem experiências em relação a irem para cama devido à natureza de algumas de suas missões. Algumas usariam “conversa de travesseiro” para alcançarem o caminho em direção à vida de seus alvos e conquistarem a confiança deles.
Tornar-se íntima estava entre os inúmeros métodos para se aproximar de seu alvo, mas não era a preferida de Murong Fuyao. De fato, a natureza de sua missão não lhe exigia se aproximar de ninguém.
Ele era mais encarregada para missões assassinas do que para missões secretas.
Aquela, e as missões secretas, eram algo em que, ir à cama de alguém era completamente opcional. Ela particularmente não esperava praticar missões de inteligência secreta. Entretanto, suas colegas jogavam na sua cara que aquilo a fazia sentir-se inadequada e com o estômago revirado.
— Use um pouco mais de força — Nangong Huo ordenou enquanto mantinha seus olhos fechados. Ele estava rigorosamente desfrutando do serviço de Murong Fuyao
“Eu estou apenas lavando suas costas. Por que há tantas exigências? E eu já estou te dando uma boa contra lavagem”. Ela manteve as palavras dentro de seu coração e colocou mais força em seus punhos para expressar sua insatisfação.
— Milorde, isso é força suficiente?
— Mm... Isso parece bom.
Ele revelou uma expressão confortável, mas após um momento, ele repentinamente virou-se para trás:
— Vire-se, eu vou te ajudar com as tuas costas.
A repentina gentileza a impressionou, e ela foi incapaz de recusar. Era impressionante um poderoso homem, nos tempos antigos, servir uma mulher como aquela. As massagens dele eram agradáveis, e com a temperatura quente da casa de banho, ela rapidamente relaxou.
À medida em que seus olhos se tornavam intensos, ela lançou-lhe uma olhadela:
— Milorde, eu sou a primeira pessoa que você lava as costas?

[Dream of Fuyao] Capítulo 10 – O Sonho de uma jovem garota


Todos se calaram imediatamente.
Huai Sheng coçou seu queixo enquanto observava seu mestre de costas e sua princesa a medida que eles se afastavam para bem longe.
“Ele age de maneira incomum”, disse em seus pensamentos.
Murong Fuyao olhou da esquerda para a direita. Nangong Huo a estava guiado, porém aquele não era o caminho de volta para o dormitório dela.
Em dúvida, ela questionou:
— Milorde, para onde estamos indo?
E olhou para ela e notou que notou que havia pó em seu cabelo. Ele parou e tirou o pó de lá. A atitude dele a assustou ao ponto de fazê-la dar um passo para trás. Ela pensou que ele ia bater nela. Entretanto, ele agarrou os ombros dela e a impediu de dar um passo para trás.
“Que grandiosa força”. Ela não pode evitar lamentar a deficiência de sua condição física comparada a dele.
Ela estava prestes a objetar quando ele afirmou:
— Estamos indo à casa de banho.
— A – A – A – C – Casa de banho?
Ela deixou escapar:
— Você quer tomar banho comigo?
Ele acenou com a cabeça sem hesitação.
Os olhos dela brilharam perigosa enquanto ela se imaginava banhando-se com o charmoso Nangong Huo. Os lábios dele se encolheram quando ele viu a expressão dela.
— Minha querida, você parece muito ansiosa.
“Como eu posso não estar ansiosa? Essa grande Senhorita ainda não comeu carne, então como posso estar tranquila diante de uma deliciosa bisteca como você?”
No segundo seguinte, ele a pegou e a carregou no estilo princesa. Em reflexo, ela envolveu seus braços em seu pescoço. A esta distância, ela conseguia observar seu rosto, o qual era idêntico ao de seu chefe. Um sentimento complicado nasceu no fundo de seu coração.
O chefe dela era o ídolo de todos os homens e mulheres na organização. Para as mulheres, ele era o Adônis delas, e para os homens, ele era sua meta. Quanto a Murong Fuyao, ela não se diferenciava das outras mulheres.
 A primeira vez que o viu foi quando lhe trouxeram à organização. Naquela época, ele disse a ela:
— Siga-me, faça como você é instruída e terá comida para comer.
Logo, passados uns anos mais tardes, eles quase não se falavam desde então. Ela geralmente o via à distância. Os momentos em que ela podia estar perto dele eram escassos, e as interações entre eles poderiam ser resumidas ao profissional. Aos olhos dela, ele era um Deus, em relação ao qual ela não se permitia estar acima.
Ainda assim, ela ainda era uma jovem garota e não conseguia evitar ter um crush por ele. Ela sabia que ela era superficial, mas isso não importava, já que ela nunca adentrou seus olhos. Contudo, sua paixão era somente para ele e para ninguém mais. Felizmente, os deuses lhe têm misericórdia.
Apesar de ter sido enviada misteriosamente para outro tempo e espaço, ela se tornou a esposa de um homem idêntico ao seu chefe. Ainda que sua personalidade fosse diferente, como ela poderia não estar satisfeita como o resultado?
Entretanto, sua atual situação era um pouco vergonhosa... Não, bem mais perigosa! Ela se apaixonou pelo Sexto Príncipe enquanto trabalhava para o Terceiro Príncipe, Nangong Lie.
Menos mal que sua razão não a abandonou por completo e ela não perdeu sua cabeça por conta da sensualidade e formosura dele. A tentação de ter um belo homem era grande, mas ela tinha uma missão para completar. Os tempos antigos eram o impiedoso mundo dos fortes. Se ela queria viver em paz e prosperidade, a Pérola do Espírito do Sonho era um dever.
Nangong Huo a levou para a casa de banho. Ela finalmente foi posta no chão quando chegaram.
— Minha querida princesa, parece que a roupa masculina é do teu agrado — Ele comentou.
Ela piscou para ele antes de perceber algo:
— E – Eu sei que você gosta de homens, então, eu me visto de acordo com as suas preferências.
Ele ergueu as sobrancelhas ao olhar para ela:
— Quem disse que eu gosto de homens?
Ela assumiu:
— Eu acho isso porque mesmo depois de estar casado comigo por tanto tempo, você ainda não tocou em mim.

[Dream of Fuyao] Capítulo 9 – Vamos ver as estrelas


Murong Fuyao suspirou por dentro. Heh! Infelizmente, outras pessoas se apaixonam, e ela já havia experimentado isso.
— Minha amada Princesa. Estou te levando para ver as estrelas
Nangong Huo guiou uma Murong Fuyao confusa para fora de seu quarto. Em segundo lugar, ele a agarrou pela cintura e a abraçou com força enquanto se aproximava do telhado mais alto, que se localizava na sala de estudos.
Ela estava desconcertada com suas ações. Afinal, ela fazia parte da facção de Nangong Lie, uma espiã secreta cuja missão era se infiltrar na propriedade de Nangong Huo e roubar a Pérola do Espírito do Sonho. Aquele homem deveria suspeitar um pouco mais dela, especialmente depois de pegar a sua mão vermelha espiando o túnel secreto. Ele até mesmo deveria ficar bravo com ela.
“Ele não deveria estar com raiva ou ter encontrado uma forma de eliminá-la?”. Pelo contrário, ele não parecia se importar nem demonstrar nenhuma dessas reações. Ela absolutamente não fazia ideia do que se passava na cabeça dele?
— O céu estrelado é bonito? — Ele disse, de repente
— Sim, é bonito. Muito lindo — Ela concordou com ele.
Seu olhar recaiu-se sobre o corpo dela:
— Esta beleza não perde para a sua.
Ela estava estupefata. Ele estava flertando com ela?
Sem lhe dar tempo para responder, ele a beijou.
Sua primeira reação foi afastá-lo para bem longe, mas o pensamento desvaneceu-se no momento seguinte. Ao invés disso, ela respondeu ao seu beijo e o pressionou no telhado. O processo de pensamento de Nangong Huo tardou um pouco, mas ele não se deixou vencer por Murong Fuyao. Ele rapidamente tomou o controle. Ele a girou e a colocou debaixo de si, enquanto a superava com suficiência. Como homem, como poderia permitir ser vencido por uma mulher? Ele seguros seus pulsos e os colocou acima de sua cabeça.
Ele suavemente levantou uma sobrancelha e lhe sorriu com um sorriso diabólico:
— Minha querida princesa, se você quer algo, apenas diga as palavras.
Que? Quer essa senhorita implore e peça para ser servida? Isso não seria vergonhoso demais? Mas, bem... Ela abriria uma exceção. Ela realmente queria provar a esse homem
Como uma menina de 18 anos, que nunca havia tido contato íntimo com um homem, não perderia esta oportunidade, quando não fazia ideia se voltariam a enviá-la a outro mundo e espaço no momento seguinte. Aproveitemos esse momento para provar a este homem antes que seja tarde demais. Ela não era um passarinho que dependia de uma árvore.
 Entretanto, nesse momento, ela não conseguiu evitar mostrar seu lado tímido:
— Milorde, faz frio aqui. Vamos para dentro.
— Vamos descer, então — Ele se afastou de Murong Fuyao e estava prestes a se levantar
Quem sabe se não foi por conta do material utilizado, o processo de construção ou simplesmente o uso da força. O teto caiu sob eles, e seguiram o caminho mais fácil em direção à sala de estudos. Enquanto caíam, Nangong Huo a levantou, trocando de posição com ela. Ela caiu em cima dele, livre de machucados. Infelizmente, a queda não foi agradável Nangong Huo. Quando caiu no chão, deixou escapar um gemido.
Imediatamente sentou-se, mas, no momento seguinte, escutou o barulho dos guardas e grito de alguém:
— Assassinos!
Após os gritos, a porta de seu quarto se abriu com um chute. Na entrada, havia muitos guardas. Quando o capitão dos guardas viu Nangong Huo e Murong Fuyao, ele congelou. Ops! Parecia que estava kperturbando o momento de diversão de seu mestre.
Imediatamente ajoelhou-se e disse em um tom muito respeitoso:
— Este humilde subordinado, Huai Sheng, havia escutado um forte ruído proveniente do quarto e havia se precipitado sem o seu consentimento. Imploro pelo perdão de Vossa Alteza.
Nesse meio tempo, Nangong Huo levantou-se. Ele arqueou uma sobrancelha, demonstrando uma expressão desgosto. Olhou para Huai Sheng, seu guarda mais íntimo. Friamente, ele cuspiu:
— Mande o pessoal limpar este lugar agora! — Assim que terminou de ordenar a Huai Sheng, saiu de seu quarto, enquanto levava Murong Fuyao consigo.

[...]

— Meus olhos me engaram? Creio que vi Vossa Alteza segurando a mão de Vossa Senhoria.
— Você enxergou bem. Senti que desde que Vossa Alteza regressou das fronteiras, ele havia se transformado em outra pessoa.
Vários guardas começaram a murmurar em voz baixa, até que Huai Sheng lhes gritou:
— Que audaz da parte de vocês fofocar sobre os assuntos de Vossa Alteza!

[Conto do Tibet] O pintor do Céu


O pintor do Céu
Há muito tempo, vivia no Sul da China um velho pintor de muito talento.  O que ele mais gostava era de pintar rostos de crianças. Toda semana, pintava sete carinhas diferentes, uma para cada dia.
Certa noite, enquanto o velho pintor trabalhava, caiu uma tempestade horrível. Ele estava tão entretido em fazer o retrato de uma linda menina, que nem percebeu que à sua porta surgira uma misteriosa figura. Ela atravessou o cômodo e, quando chegou ao seu lado, lhe disse:
— Eu sou a Morte, e preciso levá-lo comigo hoje.
O velho, porém, não ficou assustado. Pelo contrário, continuou a pintar, respondendo apenas:
— Morte, por favor, diga ao Senhor do Céu que estou muito ocupado e não posso partir sem terminar meu retrato.
Surpresa com a atitude do pintor, a Morte aproximou-se do quadro.
Ficou paralisada. O rosto que ele pintava era tão lindo e vivo que parecia lhe sorrir. Emocionada, a Morte foi-se embora. Quando chegou ao céu, o Senhor do Céu lhe perguntou:
— Morte, o que aconteceu? Você voltou sozinha?
— Senhor, me perdoe, mas não consegui interromper o velho mestre. Ele pintava um rosto tão lindo...
O Senhor do Céu ficou furioso:
— O que é isso? Você nunca me desobedeceu! Volte já para a Terra e traga-me o pintor!
Mas quando a Morte chegou à casa do pintor, ficou novamente paralisada. Os quadros do velhinho eram tão maravilhosos que ela não queria que ele parasse de trabalhar. Porém, desta vez não poderia falhar, e pediu que o pintor apanhasse seu material e o quadro que estava pintando e a acompanhasse.
Quando viu o quadro do velho, o Senhor do Céu compreendeu a atitude da Morte e disse:
— Meu velho e sábio mestre. Soube que na Terra você era um pintor célebre. Pois bem, vou permitir que continue a trabalhar no céu.
E foi assim que o pintor se instalou no maravilhoso palácio celeste junto com o Espírito da Vida. Cada vez que o Espírito da Vida desejava fazer nascer um bebezinho, chamava o pintor para que ele criasse um lindo rosto.
E é por isso que, até os dias de hoje, todas as crianças são belas, trazendo em suas pequenas faces o toque mágico do eterno mestre chinês, o pintor do Reino dos Céus.
(História do folclore tibetano)

Créditos finais:
Extraído do livro “Lá vem história”
Escrito por Heloísa Prieto e ilustrado por Daniel Kondo
Editora Companhia das Letrinhas

[Conto Hindu] Os cegos e o elefante.


Os cegos e o elefante 
Numa cidade da Índia viviam sete sábios cegos. Como seus conselhos eram sempre excelentes, todas as pessoas que tinham problemas os consultavam. Embora fossem amigos, havia uma certa rivalidade entre eles que, de vez em quando discutiam sobre qual seria o mais sábio.
Certa noite, depois de muito debaterem acerca da verdade da vida, e não chegarem a um acordo, o sétimo sábio ficou tão aborrecido que decidiu ir morar sozinho numa caverna da montanha. Disse aos companheiros:
— Somos cegos para que possamos ouvir melhor e compreender melhor que as outras pessoas a verdade da vida. E, em vez de aconselhar os necessitados, vocês ficam aí brigando como se quisessem ganhar uma competição. Não aguento mais! Vou-me embora.
No dia seguinte, chegou à cidade um comerciante montado num elefante imenso. Os cegos jamais haviam tocado nesse animal e foram correndo ao encontro dele.
O primeiro sábio apalpou a barriga do bicho e disse:
— Trata-se de um animal gigantesco e muito forte! Posso tocar em seus músculos e ver que eles não se movem: parecem paredes.
— Que bobagem! — Disse o segundo sábio, tocando na presa do elefante — Este animal é pontudo como uma lança, uma arma de guerra. Ele se parece com um tigre dente de sabre!
— Ambos se enganam — Retrucou o terceiro sábio, que apalpava a tromba do elefante — Esse animal é idêntico a uma serpente, mas não morde, porque não tem dentes na boca. É uma cobra mansa e macia.
— Vocês estão totalmente alucinados! — Gritou o quinto sábio, que mexia nas orelhas do elefante. — Este animal não se parece com nenhum outro. Seus movimentos são ondeantes, como se seu corpo fosse uma enorme cortina ambulante!
— Vejam só! Todos vocês, mas todos mesmo, estão completamente errados! — Irritou-se o sexto sábio, tocando na pequena cauda do elefante. — Esse animal é como uma rocha, com uma cordinha presa no corpo. Posso até me pendurar nele.
E assim ficaram debatendo aos gritos, durante horas e horas. Até que o sétimo sábio cego, o que agora habitava a montanha, apareceu conduzido por uma criança. Ouvindo a discussão, ele pediu ao menino que desenhasse no chão a figura de um elefante. Quando tateou os contornos do desenho, percebeu que todos os sábios estavam certos e errados ao mesmo tempo.
Agradeceu ao menino e afirmou:
— Assim os homens se comportam diante da verdade. Pegam apenas uma parte, pensam que é o todo e continuam sempre tolos.

(História do folclore hindu)

Créditos finais:
Extraído do livro “Lá vem história”
Escrito por Heloísa Prieto e ilustrado por Daniel Kondo
Editora Companhia das Letrinhas

[Conto Hindu] O tapete mágico

O tapete mágico 
Certa vez, um príncipe encontrou um papagaio que lhe disse:
— Você tem uma missão a cumprir: precisa encontrar a princesa Maya. Deixe tudo de lado e vá procurá-la. O príncipe obedeceu.
Selou seu melhor cavalo e partiu em busca da princesa. Ao chegar em uma escura floresta, deparou com três demônios que guardavam três estranhos objetos: uma bolsa, uma varinha e um tapete.
Uma das criaturas cumprimentou o príncipe e lhe disse:
— Nosso mestre morreu e nos deixou essas coisas. Mas agora não sabemos qual de nós deve ficar com ela
— É simples — respondeu o príncipe — Vou atirar uma flecha para o alto. Aquele que conseguir apanhá-la primeiro será o vencedor e ficará com os três objetos. Mas afinal, para que servem?
— A bolsa lhe dará tudo o que pedir — disse o segundo demônio — A varinha matará seu pior inimigo e o tapete o levará para onde quiser.
O príncipe atirou a flecha e, quando os demônios saíram em disparada para apanhá-la, pegou os objetos e fugiu a toda em seu cavalo. Assim que chegou a uma clareira, desenrolou o tapete e ordenou:
— Tapete, leve-me até a princesa Maya.
O tapete voou, só aterrissando quando se aproximou de magnífico castelo. Logo em seguida, uma belíssima princesa surgiu do alto da torre. Então, o príncipe abriu a bolsa e ordenou:
— Bolsa, vista-me com os mais lindos trajes que houver — Depois, dirigindo-se novamente ao tapete:
— Tapete, agora leve-me para bem perto da princesa.
O tapete o conduziu direto para o quarto da jovem. Quando ela viu aquele rapaz maravilhoso com trajes suntuosos, se aproximou de imediato. E logo o apresentou ao pai, para que o príncipe pedisse sua mão em casamento. Mas o rajá falou:
— Esse rapaz entrou como um ladrão em minha casa. Eu proíbo essa união!
A princesa chorou tanto que o pai resolveu dar uma chance ao desconhecido e falou:
— Jovem, se conseguir matar um monstro terrível que atormenta meus súditos, poderá se casar com minha filha.
Ora, isso não era problema para o príncipe. Ele voou até a caverna do monstro no tapete e depois ordenou à varinha que matasse a temíel criatura. O rei, impressionado, ofereceu aos jovens uma alegre festa de casamento.
O príncipe se tornou um ótimo governante e nunca mais necessitou de seus objetos mágicos. Era tão feliz que não queria viajar no tapete, nem pedir nada à bolsa, e muito menos usar a varinha, pois nunca mais teve inimigos.

(História do folclore hindu)

Créditos finais:
Extraído do livro “Lá vem história”
Escrito por Heloísa Prieto e ilustrado por Daniel Kondo
Editora Companhia das Letrinhas