segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

[Novos Começos] Capítulo 17 - Família Amano e os Príncipes dos Doces (ou um pouco mais que isso...)

 

Naquele fim de tarde, perguntei aos meus amigos se tinham planos para o fim de semana. Eles disseram que não, mas disse que estava pensando em ir visitar minha família, que estava hospedada em um hotel bem ali no centro de Paris.

Ninguém me contrariou, e me disseram que “matar a saudade” da família era muito bom e que era para eu aproveitar essa oportunidade. Telefonei rapidamente a minha mãe que disse estar ansiosa pela visita. Do outro lado da linha ouviam-se gritos em comemoração por causa disso, principalmente o da minha irmãzinha, que quando está feliz demais é toda escandalosa! Mas fazer o que? Essa é a Natsume que eu conheço! Estava tudo combinado. Passaria o sábado com eles.

Calma aí...Acho que tinha um último recado... Ah, era um pedido da Natsume....

— Traga os seus amigos, Nee-chan! Quero ver os Príncipes dos Doces! —pediu ela alegremente, como se quisesse muito vê-los

Falei pra ela que ia conversar com eles, mas que de qualquer jeito mataríamos a saudade.

Revelei a notícia aos meus amigos, que toparam ir comigo no dia seguinte visitá-los.

Iríamos surpreendê-los com nossos “doces especiais”

 

No dia seguinte...

Chegamos pela tardezinha, minha irmãzinha nos atendeu dizendo:

— A Nee-chan e os amigos dela chegaram! — ela estava contente mesmo

A minha família toda estava super feliz em nos receber. Me surpreendi ao ver que tio Hikaru também estava lá (finalmente ele pode ter um tempo para descansar – e viajar).

Entramos na sala e logo nos cumprimentamos. Apresentei meus amigos, especialmente a Kana-chan e Rumi-chan, que foram muito bem recebidas.

Quanto aos rapazes... Bem, alguém muito enérgica foi logo comentar:

— Vocês vieram mesmo! Nossa!!

— Claro que sim, não podíamos recusar um pedido de uma menina tão linda como você, Natsume-chan—Hanabusa-kun lhe disse, lhe entregando uma flor em caramelo (alguém de onde ele tira essas flores? Deve carregar uma sempre...)

— Obrigada — minha irmã agradeceu — Estou muito feliz que estão aqui

— A sua irmã disse que você queria nos ver, então nós viemos —Kashino respondeu, calmo.

— É, falei pra ela mesmo... Queria aproveitar essa chance...  Queria muito ver vocês!

Admiro vocês, sabia?

— Nós também queríamos te parabenizar pela sua conquista, Natsume-chan— completou Andou-kun gentilmente.

— Nossa, obrigada! — ela estava realmente grata

Depois nós demos um abraço em família, que não fazíamos há meses. Aquele momento família realmente fez cessar a saudade que senti deles aquele tempo todo. Era reconfortante, acolhedor, caloroso. Me acalmava, aliviava ao mesmo tempo que a minha satisfação em tê-los tão perto era enorme

—Estamos felizes em rever você, filha — comentaram meus pais.

— É ótimo rever vocês também, estava com saudades! —disse, alegre, sincera, satisfeita

— Quanto tempo, Nee-chan! — foi o comentário da Natsume, cheio de alegria e energia como sempre, envolvendo-me naquele abraço forte, cheio de sentimentos. Dava saudades até das brigas que tínhamos de vez em quando...

—Natsume... — retribuí um sorriso terno a ela, feliz em vê-la daquele jeito, contente, disposta, carinhosa.

Um tempinho depois, meus amigos se reúnem e me chamam.

— Queremos fazer uma surpresa a Natsume-chan— a Kana-chan se pronunciou

— Entendi. Deixe-me adivinhar... É pra distraí-la, né?

— Exatamente! —Kashino, Andou e Hanabusa responderam em coro.

— Ok.

 

Na sala

Aproveitei para me aproximar da minha família que estava toda reunida naquela pequena sala. Me alegrava ver todos daquela forma, reunidos e conversando alegremente. Gostava desses momentos. “Essa é a minha família” penso por um instante. Alegria e energia sempre teve de sobra se depender da Família Amano. Sentei-me no sofá e perguntei:

— Do que estão falando, gente?

— Estamos falando de como Paris é linda! —a Natsume estava realmente encantada, nas nuvens, ao comentar isso

— É verdade. Paris é um sonho pra muitas pessoas! Nunca pensei que nós duas teríamos a chance de visitar Paris um dia! Parabéns, maninha!

— É mesmo, né! Hey, obrigada, Nee-chan

— A avó de vocês estaria muito orgulhosa de vocês duas agora — tio Hikaru comentou, e meus pais concordaram com um sorriso de leve.

—Hey, Natsume! Você já visitou algum lugar de Paris? — eu perguntei a minha irmã, curiosa para saber o que ela responderia.

— Claro, nós já vimos a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo e fomos a alguns bistrôs, experimentar algumas comidas daqui que, aliás, são deliciosas! Essa foi a nossa manhã produtiva. Não é mesmo, gente? —ela perguntou olhando para o resto da família, que apenas acenaram a cabeça confirmando (ou quase todo mundo)

—Ei, não se esqueçam do Museu do Louvre — o meu pai protestou, fingindo estar indignado com o ‘esquecimento” da Natsume

— Ah, é! — a minha irmã falou, como quem acabou de se lembrar daquilo — O papai insistiu que fôssemos ao Museu do Louvre para ver as obras de arte — ela concluiu, com um sorriso travesso no rosto.

— Não foi bem assim... — o meu pai protestou (ou melhor, tentou protestar)

— Foi sim! — mamãe, tio Hikaru e Natsume exclamaram em coro, caindo na gargalhada logo em seguida, e fazendo meu pai corar um pouquinho. E claro, não pude deixar de rir também! Mas acho que a risada foi tão alta que até meus amigos na cozinha não puderam deixar de sorrir

Ah, e por falar nisso...

 

Na cozinha....

... Meus amigos estavam todos concentrados fazendo a sobremesa para a Natsume. A concentração era tanta que a cozinha estava completamente silenciosa, bem diferente da sala, que estava tomada por risadas e discussões, bem típico da minha família. Mas confesso que dali vinha um cheirinho tão bom, que deu vontade de dar uma pequena espiada.Aproveitei que estavam distraídos e fui até a cozinha com a Vanilla.

Mal chegamos, e a Chocolat nos fala:

— Ah!! É a Ichigo com a Vanilla!!

— Não posso nem dar uma espiada? Tá um cheiro tão bom...

— Claro que não! — responderam todos juntos, inclusive os Espíritos dos Doces.

— Mas é tonta mesmo! Vai estragar a surpresa, Ichigo! — exclamou Kashino, olhando fixamente para mim, deixando escapar aquele sorriso torto (bem de leve) que eu amava. — Volta pra sala, logo! — ele me ordenou, ainda sorrindo.

— Ok, ok, vou voltar — Vamos, Vanilla

 

De volta pra sala...

— Onde você estava, Nee-chan— a Natsume me questionou

— Ah, só estava vendo como estavam as coisas na cozinha...

— Meu Deus, Nee-chan, você não muda! Tá sempre curiosa! — a minha irmã comentou, de bom humor.

— Ah, é né! — respondi, meu sem graça a ela — Do que estão falando agora?

— Estamos discutindo como todos nós temos talentos diferentes! — ela respondeu, gesticulando e sorrindo de ponta a ponta — E por isso nos identificamos com Paris por motivos diferentes.

— Aqui é o país das Artes — meu pai disse nossa direção

— É por isso que eu estou aqui né? — perguntou a Natsume, balançando a cabeça e piscando.

— Verdade, filha! — concordou minha mãe

— Eu estava falando de outro tipo de arte, mas tudo bem — meu pai disse

— Ok, a gente viu a Mona Lisa! — a minha irmã disse ao meu pai, para animá-lo, e deu certo.

— Como está seu coraçãozinho, Natsume? Você tem uma apresentação logo amanhã!

— Estou ansiosa! Cada vez que alguém toca nesse assunto eu fico tensa! Quero muito que a hora passe logo, só para que o amanhã chegue logo! —ela disse, eufórica, com uma euforia que nunca tinha presenciado antes. Era um dia realmente especial para ela. A realização de um grande sonho seria dali a exatas 24 horas

—Natsume, não importa o que aconteça, lembre-se: Você já é uma vencedora só de ter a oportunidade de chegar até aqui. Isso só prova o quão talentosa você é! —eu falei para ela, gentil e carinhosamente, fazendo-a ficar emocionada — E eu vou estar torcendo por você! Todos nós estaremos! — disse lhe finalmente, com convicção, segurando em sua mão, na tentativa de passar toda a confiança de que ela precisava naquele momento.

—Nee-chan... — ela disse, suspirando, deixando uma lágrima cair, e me abraçando.

—É exatamente isso, Ichigo! —exclamou uma voz inconfundível, aprovando meu conselho à Natsume

—Makoto... — logo vi que todos estavam na nossa frente, na sala — Pessoal...

— Que tal animarmos essa Princesa? —Hanabusa-kun sugeriu, apontando para Natsume

— Surpresa!! — disseram todos em coro

— Uau!  — Minha família toda exclamou — Que lindo!

Era um bolo de dois andares, recheado com creme e chocolate amargo. Aquele chocolate ressaltava no sabor e era bem harmonioso. Mas tinha um gostinho a mais... Algo mais doce, que derretia na boca. Ah! Tinha uma boneca feita de marzipan (a cara da Natsume mesmo, perfeita, e tocando piano) atrás da Torre Eiffel. E tinha bastante detalhes, como flores (de várias cores), ao redor do bolo! Em caramelo!

Minha irmã ficou realmente alegre com a surpresa, e abriu um sorriso de ponta.

— Muito obrigada! É a melhor surpresa que já recebi! — ela exclamou sincera, e ainda sem acreditar que aquilo tudo era pra ela.

— Queríamos te fazer sorrir, Natsume-chan! — Andou-kun falou, sinceramente, daquela maneira gentil que só ele tem

— E conseguiram! — ela disse, sorrindo — Amei aquelas flores...

— Você quem fez, não foi, Hanabusa-kun?

— Na verdade, a Kana-chan e a Rumi-chan me ajudaram a fazer... Sabe como é, às vezes senso feminino é necessário...

— Como assim, “às vezes”? — a Rumi-chan questionou, fingindo indignação.

—Ops! Acho que “sempre” fica melhor —Hanabusa-kun respondeu a ela, que sorriu em resposta, como se dissesse “agora acertou”.

Rimos daquela cena, que deu mais alegria ainda.

Logo, Natsume diz:

— Queria lhes agradecer de outra forma — ela declarou — Ouçam esta música

Ela tocou “Polonaise Brillant”, de Chopin, lindamente. Com uma sincronia que transmitia todos os sentimentos dela ao tocar. Era suave e intenso ao mesmo tempo; tinha uma harmonia incrível, ela era mesmo o talento da família quando se tratava de música. Ao final da canção, nós a parabenizamos, e ela agradeceu, olhando para nós, dizendo:

— Toquei essa música porque reflete o dia de hoje. Essa uma das peças que mais gosto de tocar, mas me dediquei muito para conseguir fazê-lo, assim como vocês se dedicaram ao máximo para me fazer alegrar neste dia. E vocês todos são pessoas que admiro muito, de coração. Fiquei extremamente feliz com a surpresa, mas não sabia como agradecer-lhes com palavras, então esse é meu agradecimento a todos vocês, pâtisseries, porque a música expressa aquilo que as palavras são completamente incapazes de transmitir.

Foi a vez de nós nos emocionarmos com ela e suas palavras ternas. Minha irmãzinha era mesmo muito sábia e capaz de comover as pessoas transmitindo o que sente, e faz alguns de nós chorar, de tão emocionados. Não contive as emoções depois de ouvir aquela mensagem de gratidão vindo dela. Logo sequei as lágrimas (sim, acho que choraria no dia da apresentação também, ou seja, no dia seguinte) e esbocei um sorriso.

Depois de um tempo, ela disse:

— Amanhã terei uma apresentação. Estão todos convidados, se quiserem ir

— Seria uma honra, Natsume-chan, mas temos nossos planos né, pessoal? —Hanabusa-kun disse a ela

— Verdade — (quase) todo o resto concordou, com um sorriso travesso e uma piscadela na minha direção (e na de alguém)

— Mas a sua irmã vai acompanhada, viu? — Andou-kun e Kana-chan falaram a uma só voz

— Ah, tá! — A Natsume tinha aquele sorriso malicioso como se dissesse “já sei quem vai ser”

— Agora está na nossa hora. Vamos indo, pessoal?

Todos concordaram

— Ichigo, você vem com a gente ou prefere passar mais um tempo com a sua família? —Kashino me perguntou

— Bem...— eu hesitei

— Se quiser pode ir, Nee-chan. Sei que tem alguém especial no seu coração... Nos vemos amanhã...

—Natsume... Você sabe...

— Vai logo! Senão ele vai te deixar pra trás! — ela falou, rindo.

— Okay, então — pisquei a ela.

E depois disso, quando estava saindo do local, eu gritei:

— AH! ME ESPERE! —E corri para alcançar Kashino, e andarmos lado a lado, de mãos dadas, no caminho “de volta para casa” em Paris, naquele fim tarde.

Nenhum comentário:

Postar um comentário