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segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

[Resenha] Perseu e a Górgona Medusa

Informações dos Quadrinhos 

Título:  Perseu e a Górgona Medusa 

Coleção: A Sabedoria dos Mitos 

Páginas: 60

Uma coleção criada por: Luc Ferry 

Roteirista: Clotilde Bruneau 

Ilustradores: Didier Poli, Giovanni Lorruso 

Editora: Glénat 

País de origem: França 

Idioma original: Francês 

Ano: 2017


Neste volume da coleção “A Sabedoria dos Mitos” encontramos a história de vida de Perseu, desde a profecia sobre o seu nascimento, passando por sua infância, juventude e morte 

Conhecido por ser o herói que matou a górgona Medusa, desde menino, ele e sua mãe, tiveram que passar por muito, até se tornar um homem forte e aguerrido. Ele mesmo, por livre e espontânea vontade, escolheu sua missão, para dar a cabeça da górgona de presente de casamento ao Rei Polidectes. 

Isso demonstra o tamanho da coragem dele, ao tomar para si mesmo esta façanha, sendo abençoado pelos seus irmãos divinos, Atena e Hermes, que lhe instruíram o que deveria fazer para que obtivesse sucesso. 

Participaram deste processo também, as Greias (irmãs mais velhas das Górgonas, que tinham apenas um olho e um dente) e as ninfas das florestas. Com a colaboração delas, o jovem herói sabia qual caminho seguir e um auxílio a mais em sua empreitada, que não foi fácil, mas conseguiu 

O drama (e um certo romance) fica por conta de Andrômeda, por quem Perseu se apaixonou à primeira vista, e o tio dela, até então, seu prometido. Esta é uma das histórias de amor da mitologia grega que terminam em “final feliz”, mas que tem sua dose de tragédia, visto que o caminho para a paz foi tortuoso. Muito por cima, vemos que ele teve um filho, aparecendo em um dos quadrinhos finais, contudo, segundo uma versão conhecida do mito, nosso protagonista e sua bela Andrômeda tiveram, na verdade, oito filhos. 

Através do mito de Perseu obtemos as lições de fé, persistência e coragem, além da mensagem de que, as recompensas e bênçãos sempre vêm àqueles que se esforçam e persistem até o final, merecendo seu devido reconhecimento 

Quanto à estrutura da obra, as ilustrações foram bem agradáveis e o roteiro foi muito bem elaborado, evidenciando cada uma das passagens da vida de Perseu. Esta roteirista, a mesma de “O Nascimento dos Deuses”, é realmente boa. 

Confesso que gostei mais desse volume do que do anterior. Por se tratar, digamos,  de uma biografia, este livro contou com maior riqueza de detalhes, e ficou mais completo, inserindo todos os personagens envolvidos no mito original de Perseu. 

De forma geral, prendeu a atenção, tanto pelo roteiro quanto pelos desenhos, com cores e cenários que deram mais vivacidade e charme ao enredo. 

Recomendo àqueles que desejam ler um quadrinho envolvente, com aventura, drama e romance, com uma lição de moral contida nas entrelinhas 

sábado, 2 de dezembro de 2023

[Resenha] O Nascimento dos Deuses

Informações dos Quadrinhos 

Título: O Nascimento dos Deuses 

Coleção: A Sabedoria dos Mitos 

Volume: 01

Páginas: 60

Uma coleção criada por: Luc Ferry 

Roteirista: Clotilde Bruneau 

Ilustradores: Dim D. e Federico Santagati 

Editora: Glénat 

País de origem: França 

Idioma original: Francês 

Ano: 2016


A coleção de quadrinhos “A Sabedoria dos Mitos” narra de forma objetiva e a cores, em cada volume, as principais histórias da mitologia grega. Neste primeiro volume, intitulado “O Nascimento dos Deuses”, encontramos a origem do universo, os primeiros deuses, os titãs e olimpianos, até a vitória deles na Titanomaquia e atribuição que cada um dos irmãos de Zeus recebeu com a divisão do mundo 

Não é mencionada a geração de olimpianos como Ártemis, Apolo, Afrodite, Ares, etc. Vemos somente a representação de, no máximo, Zeus e seus irmãos. Por isso, algumas coisas ficam subentendidas ou em aberto, sendo que vou citá-las aqui 

É dito que no princípio havia apenas o Caos. Logo em seguida, já se menciona a união de Urano e Gaia, sem dizer quais foram os seres gerados a partir do Caos, que são: 


  • Érebo (Escuridão), 

  • Nyx (Noite), 

  • Tártaro (abismo do Submundo) e 

  • Eros (Amor), também conhecido como Cupido 


Depois, temos a prole de Urano e Gaia, entre os quais são mencionados os centímanos e ciclopes, além dos 12 Titãs, entre eles, Cronos e Reia, irmãos que se desposaram deram origem aos 6 grandes olimpianos: Zeus, Hades, Poseidon, Hera, Héstia e Deméter

Temos acesso às cenas em que Cronos engole seus filhos, com Reia contando ao seu filho Zeus o porquê de ele estar escondido numa caverna, tal como a importância de vencer seu próprio pai Cronos. Gostei de ver o lado maternal da Reia, que deu um ar mais fraternal e familiar para esta adaptação em quadrinhos, demonstrando o sentimento de uma mãe por seus descendentes 

Um fato explícito é a relação de Zeus com Métis, sua primeira esposa. Os quadrinistas adotaram a versão de que a referida deusa poderia se transformar em qualquer coisa, inclusive em água e que teria gerado descendentes a partir de então. 

Possivelmente optaram por esta versão para não agregarem outros personagens, visto que a versão mais conhecida é aquela em que Métis se transforma em uma mosca, sendo engolida por Zeus, e da cabeça dele nasceu Atena, já adulta e pronta para guerra 

Voltando ao quadrinho, o ápice da obra é a guerra entre Zeus e Cronos, para que este libertasse seu filhos, uma vez engolidos por ele e, por fim, a distribuição de tarefas dada por Zeus:

  • Hades com o submundo 

  • Poseidon com os mares 

  • Deméter com as colheitas e estações 

  • Héstia com os lares 

  • Hera com o casamento, sendo esposa dele e dando origem a uma nova geração, na proposta de um mundo mais harmonioso dali em diante. 


CONCLUSÃO 

Dada a quantidade de páginas, foi uma boa adaptação da mitologia grega. Conheci uma versão diferente (de Métis se transformado em água) e com personagens que já tive contato há tempos. 

Achei os traços pouco realistas, mas cada um tem seu estilo, e não há problema nenhum nisso. A maneira como estruturaram o roteiro ficou palatável, me fazendo ler rapidamente e com vontade de saber o que vinha a seguir. 

Espero que aqueles que lerem possam desfrutar tanto quanto eu, embarcando nas origens da mitologia. 

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

[Resenha] Denise: Arraso

Título: Denise: Arraso 

Roteiro: Cora Ottoni 

Com a personagem de: Rosana Munhoz e Emerson Abreu 

Do universo de: Maurício de Sousa 

Coleção: Graphic MSP 

Volume: 33

Número de páginas: 96

Editora: Panini 


A Denise é uma das minhas personagens preferidas, pela sua personalidade alegre e autêntica. Como é de costume das Graphics MSP, elas nos trazem determinada reflexão nas entrelinhas. 

Gostei de ver como a desenhista trabalhou a Denise como uma menina descontraída, porém, neste caso, como alguém viciada nas redes sociais - um problema que enfrentamos em nossa sociedade atual. Algumas pessoas preferem ter seguidores a amigos de verdade, fazendo de tudo para aparecer na mídia, escondendo a sua essência. 

As pessoas estão cada vez mais à procura da aprovação alheia, com a necessidade de pertencimento a um grupo, cedendo à pressão do coletivo, optando por uma vida de aparências, para que tenham a atenção que tanto desejam obter.

Na HQ fica explícita a mensagem de que não devemos ser quem não somos, aceitando a realidade como ela é. Quem é nosso amigo deve nos aceitar como somos, e não pelo que temos ou deixamos de ter. 

Nesse sentido, achei interessante o fato de a autora abordar o paradoxo existente entre Carminha e o resto das meninas; enquanto ela tem tudo de material, as demais possui o carinho e o amor fraterno que lhe falta, para lhe completar. 

No fundo, todas as coisas que possui são para suprir a carência afetiva e se analisarmos bem friamente, a personagem Carminha Frufru representa uma dessas pessoas vazias, que andam com objetos de última geração para mostrar que tem algo com que se orgulhar, sem saber que isso não significa nada. 

O fato de reconhecer a ausência dos pais em um dos quadrinhos, deu à personagem um caráter mais natural e humano, diferente da tradicional Carmen esnobe. Ver a Cascuda como uma das amigas da Denise me deixou feliz; elas podem ter suas diferenças mas, estão sempre juntas. 


Aprendemos também, que a mentira tem perna curta e que não se deve invejar a grama do vizinho. Denise sempre quis ter a vida luxuosa de Carmen e achava a sua um completo desastre, sem glamour algum, sem olhar as coisas positivas que havia ao seu redor e na mudança para o Limoeiro, sendo que cada um tem seus problemas e pontos positivos, do jeitinho que a vida é. 

Quanto ao enredo em si, a personalidade meio doida com falas exageradas da Denise deu um ar de leveza e muita comédia! Me vi sorrindo em vários momentos da trama e as gírias lembraram bastante as historinhas do Emerson Abreu, quando ele usa e abusa da personagem, cheia de opiniões. Dá para ver que esta quadrinista é tão fã da Denise quanto do roteirista, até o homenageando ao batizar o pai dela  com seu nome. 

Achei tudo a ver ela e o XAVECO serem vizinhos e ela sempre errando o nome dele em várias passagens, foi super divertido. Em geral, foi uma leitura bem gostosa e fluida, típica da Turminha. Só não gostei da palavra “lacrou”, afinal sou contra a lacração. 

Pra que essa palavra? Não arrase assim comigo, gata! 

Tirando isso, foi uma boa história com lições de moral valiosas! Vale a pena conferir! 

Beijos e até a próxima indicação